Visitar Luxor no Egipto: templos, túmulos e o Nilo

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Luxor, Egipto: templos, túmulos e o Nilo

Chegada a Luxor e o alojamento

Depois de uma viagem noctura de autocarro desde o Cairo, chegamos a Luxor já a manhã vai avançada. Está a chegar ao fim esta viagem ao Egipto. Estranhamente a paragem dos autocarros fica ao pé do aeroporto e, a uns 10km da cidade.

Com o mau humor de quem acorda duma noite mal dormida chamo uns quantos nomes a quem teve a bela ideia de fazer ali a paragem de autocarros. Todos os passageiros acabam obrigados a apanhar um táxi até à cidade. Isto ajuda a perceber o porquê de toda a gente usar comboio.

Conhecemos logo um rapaz que se oferece para nos ir apresentar o seu hotel, prometendo quartos a 10EL (1,5€). Desconfio, mas como ele nos ajuda com o táxi decidimos ir com ele. De qualquer modo, se não gostarmos podemos sempre dizer que não.

Acabamos por aceitar! Embora fique num beco, o hostel fica geograficamente bem localizado, junto à avenida que liga a estação de comboio ao templo de Luxor. As casas de banho funcionam e têm água quente. Tudo é limpinho, com paredes pintadas de novo e com bastante bom gosto. Fico num quarto demasiado pequeno para duas camas. Embra um pouco apertado, por noite, com pequeno almoço incluído e Internet grátis 24h por dia pago 15EL (2€)!

Depois do almoço no terraço dum restaurante com vista para o Nilo, vamos a pé até ao templo de Templo de Karnak. Pelo caminho, negociamos uma viagem de Feluca para o fim da tarde.

Templo de Karnak

Templo de Karnak, Luxor, Egipto

A fachada do templo não deixa prever o que está por trás dela. O complexo de Karnak estende-se por mais de 25 hectares e está depois ligado ao templo de Luxor, a mais de 2km por uma avenida ladeada de esfinges, em grande parte subterrada ou em escavação.

O que mais impressiona no templo é a sala das colunas, um espaço enorme, repleto de colossais colunas de pedra trabalhadas. Algo verdadeiramente surreal. A esta hora o templo encontra-se repleto de turistas que chegam aqui nos cruzeiros pelo Nilo.

Passeio de Feluca no Nilo

Passeio de Feluca pelo Nilo, Luxor, Egipto

Regressamos a Luxor de táxi de modo a estarmos a tempo no cais para a viagem de Feluca ao Pôr do Sol. Embora os meus colegas quisessem ir de barco a motor eu insisti em ir na tradicional Feluca. Visto que fui eu que regateei melhor o preço, foi o que ficou. Esqueci-me que sem vento os barcos a vela não andam. Infelizmente foi o que aconteceu.

Acabamos por andar quase todo o tempo rebocados por um barulhento arrastador a motor enquanto juntamente com outras 8 Felucas. Com os meus colegas de viagem um pouco chateados com a minha insistência, tenho a sorte de não me atiraram aos crocodilos.

Embora tenha negociado o preço com um tipo que parecia sabedor da arte, acabaram por ser um filho e um sobrinho a nossa tripulação. Mesmo com os meus fracos conhecimentos de navegação à vela, que qualquer português tem no sangue, fico com a ideia de que eles percebem pouco ou nada da arte. Para agravar, passam a viagem e perguntar-nos se não estamos interessados em haxixe ou marijuana. Têm amigos que fazem bons preços.

Com o descer do Sol no horizonte os tons dourados reflectidos nas águas do Nilo fazem esquecer todos estes contratempos. No fim, os nossos marinheiros de água doce ainda pedem uma gorjeta. É óbvio que não levam nada…

O templo de Luxor à noite

Templo de Luxor, EgiptoA decisão de deixar para a noite o templo de Luxor revela-se a mais acertada. A iluminação é fantástica e cria um ambiente místico e realça ainda mais a grandeza e os detalhes do templo. São muitos os grupos de turistas que escolhem esta hora para o visitar. Aproveito para me aproximar e ouvir as explicações dos guias.

Depois de um jantar no Mcdonalds, para variar um pouco a alimentação, segui-se a shisha e o chá num bar no souk, como já ia sendo da praxe.

Segundo dia: o Vale dos Reis

O segundo dia em Luxor dedico-o à margem esquerda do Nilo. Aí encontra-se o famoso Vale dos Reis entre outras maravilhas faraónicas. A minha ideia inicial era alugar uma bicicleta, passar o rio de barco e andar por lá o dia todo a visitar os locais arqueológicos. No entanto, levado pelos meus colegas destes dias de viagem no Egipto, acabo por alinhar com eles num tour organizado.

Acompanhados por um guia local que pouco mais faz que mostrar postais lá vamos. Não é este o estilo de viagem que quero para mim. Nisto das viagens sou mesmo muito esquisito. Começamos pelo Vale dos Reis.

Vale dos Reis, luxor, Egipto À entrada, uma maqueta semitransparente mostra a complexidade das câmaras espalhadas pela montanha. O bilhete de entrada dá direito a visitar 4 túmulos. Apanhamos um ridículo mini-comboio para percorrer os 100 metros de percurso que separam a bilheteira da zona dos túmulos. Começo a ficar chateado por me ter metido nisto. Não pelo preço irrisório mas pelas desvalorização da capacidade do ser humano em caminhar 100 metros.

Não fosse a verdadeira grandiosidade do local e a maravilha que são as pinturas nas paredes dos corredores que dão acesso às câmaras funerárias, e ia ficar muito desiludido com este dia.

Contra a vontade do guia, que só queria que visitássemos três túmulos, subo para o 4º. Mais profundo que os outros, o ar no seu interior é quase irrespirável, com altíssimas temperaturas e alto teor de humidade. Saio poucos minutos depois. Embora seja proíbido fotografar no interior, arrisco umas fotos, mas sou traído pelo flash que me denuncia. O guarda obriga-me a apaga-las, o que simulo. Ele fica satisfeito.

Opcionalmente pode-se visitar o túmulo de Tutancamon, mas opto por não o fazer já que o valor a pagar pela entrada é absurdo. Ainda para mais quando o espólio, incluindo a famosa mascara de ouro, não está aqui, mas sim no museu do Cairo. Lá dentro iria ver mais câmaras e corredores de paredes decoradas com hieróglifos e divindades e, um tecto pintado de azul com estrelas. O conteúdo deste e dos outros túmulos está espalhado por vários museus de todo o mundo.

Mausoléu de Hatchepsut

Templo de Hatshepsut, Luxor, Egipto

Saindo do Vale dos Reis, seguimos em direcção ao templo de Deir el-Bahri. Pelo caminho fazemos uma paragem forçada num vendedor de peças de alabastro. Depois de um chá e algumas ofertas, este grupo de jovens com pouco capital acaba por seguir viagem sem comprar nada.

Desta vez recuso entrar no comboio para percorrer os 50 metros até ao monumento. O edifício foi totalmente restaurado. Neste restauro incluíram-se as estátuas da rainha Hatshepsut (que o mandou construir) e, que haviam sido destruídas depois de um problema amoroso desta com o arquitecto.

O Vale das Rainhas

Ali bem perto fica o Vale das Rainhas, assim designado por aí se encontrarem os túmulos de algumas rainhas, entre as quais Nefretari. Os túmulos são um pouco mais modestos, nomeadamente nas dimensões, mas igualmente belos. Reina aqui um ambiente muito mais descontraído, com poucos turistas e sem guardas lá dentro. Podem-se portanto tirar fotografias. Quando se é apanhado, lá se têm de dar algumas piastras.

Vale das Rainhas, Luxor, EgiptoQuase concluída esta visita à margem ocidental do Nilo fazemos ainda mais uma paragem. De regresso a Luxor paramos nos colossais Colossos de Memnon, duas gigantescas estátuas de pedra, que outrora serviam de guarda ao túmulo de Amenófis III. Algo realmente impressionante.

Para terminar o tour temos ainda mais uma demonstração. Desta vez é numa casa de papiros onde podemos ver o processo de fabrico destes. Supostamente o método tradicional, que não se encontra em mais local nenhum.

Ainda que mais uma vez, devido aos preço altíssimos, ninguém compre nada, é de louvar que os funcionários nunca tenham mostrado a mínima arrogância. Enquanto estiveram connosco mantiveram sempre um sorriso.

Depois de um almoço tardio em Luxor chega a hora de me despedir dos meus companheiros destes dias no Egipto. Às 4 da tarde partem no autocarro para Dahab, uma estância balnear do Mar Vermelho. Eu fico o resto do dia pela cidade visitando os mercados.

Acabo por comprar uma shisha, pensando que fiz um bom negócio. Verifico depois que afinal paguei um preço altíssimo por um produto de má qualidade. Ainda assim barato para os padrões europeus.

 

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