Viajar à boleia de Baalbek para Bcharre, no Norte do Líbano

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Estrada de Baalbek para Bcharre, LibanoDe uma forma geral os transportes no Líbano funcionam bem. A população concentra-se sobretudo junto ao litoral e aí não há dificuldade em arranjar transporte entre as várias cidades. Mesmo no interior, a estrada que liga Beirute a Damasco é também ela bem servida de autocarros e mini-autocarros, assim como entre Zahle e Baalbek. Por isso, todas as rotas seguidas pelos turistas são possíveis de fazer sem carro próprio. Todas excepto uma, muito útil e que permite fazer uma viagem circular em redor do país, poupando assim algum tempo em viagens desnecessárias. Falo da estrada no norte do país que liga Baalbek a Bcharré.

Baalbek é a famosa Heliopolis romana, a cidade do Sol, onde encontramos ruínas muito bem conservadas de templos romanos e as maiores colunas de pedra dessa civilização. Em Bcharré inicia-se o vale de Qadisha e encontra-se a poucos quilómetros o parque dos cedros de Deus, árvore que tornou o Líbano famoso em todo o mundo antigo. Todos estes locais foram declarados património da humanidade pela Unesco.

Acontece que não há transportes regulares entre as duas localidades que distam cerca de 50km uma da outra, separadas por uma montanha de mais de 3000 metros.  Sabendo de tudo isto, os taxistas dispõem-se a fazer a viagem por 50$USD, que se for a dividir por 4 passageiros até nem fica caro, mas se for sozinho já é um valor um bocado elevado.

Qual é a solução? Usar um misto de transportes públicos e boleias para lá chegar.

Como eu fiz

Vale de Qadisha, LíbanoEm Baalbek informei-me junto dos taxistas e minibus de como chegar a Deir El Ahmar, a última localidade servida pelos táxis partilhados e minibuses. Todos acharam estranho um turista querer ir para lá e tentaram convencer-me a ir de táxi até Bcharré. Por fim lá me indicaram onde poderia apanhar o minibus para lá. Este parte de uma rotunda à saída de Baalbek, mas há quem já tenha apanhado táxi partilhado ali mesmo junto aos templos. Nessa rotunda, apanhei o primeiro minibus que vi e que me levou até um cruzamento a uns 2km de onde estava um service taxi. Mesmo sendo um táxi partilhado acabei por fazer a viagem quase toda sozinho. Levou-me até Deir El Ahmar por 3000LL e ofereceu-se também para me levar até Ainata por mais 10000LL.  No entanto recusei a oferta. Como tinha de ir à boleia, decidi ir logo dali.

Caminhei um pouco até à saída da povoação e esperei junto ao quartel dos bombeiros. Pelo caminho vi um militar à espera de transporte e decidi perguntar-lhe se era aquela a estrada para Bcharré, na esperança de que depois quando ele passasse me dessem boleia, já que o Filipe Morato Gomes tinha conseguido boleia com militares neste mesmo percurso há um mês atrás. Enquanto estive à espera apareceu um jeep da policia que me perguntou o que estava ali a fazer e depois foi embora. Passavam poucos carros, mas ao fim de uns 15 ou 20 minutos lá parou um que me levou por alguns quilómetros e me deixou junto a algumas casas no meio das montanhas. Esperei mais uns 15 minutos até passar o segundo carro, um jeep que trazia lá dentro o militar com quem eu tinha falado, mais um colega e o condutor, um civil. Ficou admirado de eu ter chegado ali a pé, mas falavam muito pouco inglês ou francês. O condutor deixou-nos aos 3 em Ainata.

Todas estas localidades são maioritariamente (se não mesmo exclusivamente) cristãs. Em Ainata os militares tinham já um local estratégico para pedir boleia, que parece ser comum por aqui e toda a gente pára para os levar. Mesmo eles só falando árabe perguntei se podia ficar com eles, mas por gestos e francês misturado com árabe lá me disseram para seguir, que depois quando arranjassem boleia pediam para parar e me levar. Assim foi. Nem 5 minutos andei e lá parou outro jeep onde eles iam que me levou até aos cedros, onde pedi para sair.

Esta parte do percurso entrou para o top das estradas mais bonitas por onde já passei, com algumas nuvens a cobrir o cume do monte e uma vista divinal lá de cima.

Mapa da viagem


Ver baalbek para bcharre num mapa maior

Fotografias da viagem

Olá! Eu sou o Samuel, autor do artigo que acabou de ler. Como você, também gosto de viajar e descobrir povos e lugares. Partilho neste blog as experiências vividas nos vários países por onde já andei. Pode saber mais sobre mim na página Sobre o autor. Espero que tenha gostado e, se tiver alguma coisa a acrescentar, deixe um comentário abaixo.

3 COMENTÁRIOS

  1. Meu caro amigo, sinto-me inspirado e ao mesmo tempo “encontrado” no teu estilo viajante. Já viajei pela Europa com a mochila ás costas, sem medos e com muita vontade. Acabei muito recentemente o meu 2º curso, e já à algum tempo que ando a idealizar uma viagem menos convencional, mais profunda e por isso mesmo espiritual, pelas ” ÁFRICAs e ASIAS”. Estou a pensar em partir muito brevemente, e queria apenas deixar um sinal de agrado pela tua sincera partilha, que calibrada pela simpatia da tua experiência, permitem adquirir uma maior confiança em relação “á boleia”.

  2. Olá amigo, muito bom relato para viajar neste país, de uma forma que tanto gostamos – à boleia. à boleia proporciona conhecer o país por dentro, as suas populações e certos costumes. Esta zona é muito bonita. Parabéns! abraço desde Ouarzazate.

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