Um dia para conhecer Sófia, capital da Bulgária

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Chego a Sófia com a cidade a acordar mas a mim apetece-me dormir. Dormir e acordar na minha cama. Sim, porque viajar é assim. Nem tudo são dias felizes, locais encantadores e céu azul. O dia de hoje não é nada disso. Desembarco do comboio numa estação velha depois de uma noite passada num comboio desconfortável. Fico cerca de uma hora sentado num banco da estação enquanto lá fora o céu está tão cinzento como as paredes escuras deste grande hall. Chove. Esperava ter chegado a Sófia há 4 dias, mas agora que finalmente aqui estou, sinto-me demasiado cansado para gozar desta alegria. Por fim saio. A chuva já parou e as nuvens abrem-se aqui e ali.

Sófia, BulgáriaPrimeiras impressões: a cidade é calma, mesmo sendo segunda de manhã. Em cada esquina há um casino e na rua até ao centro muitos sex-shops. As ruas são muito mais limpas que as de Bucareste, de onde acabo de chegar, mas também aqui há grandes obras. É a nova linha do metro. Os edifícios são igualmente muito cinzentos, mas menos degradados que os da capital da Roménia.

Começo por visitar a igreja de St. Nedelya onde se está a preparar uma celebração. Acendo umas velas e fico por um bocado a apreciar os ritos ortodoxos.  Preciso de “iluminação” para as próximas semanas. No mapa que fotocopiei dum guia de viagem antes de sair, encontro o posto de turismo. Fica ali mesmo ao lado. É moderno e bem equipado.

Dou sempre preferência a estes locais para recolher informação sobre os destinos que visito. Têm sempre a informação mais actualizada que qualquer guia de viagem e gratuita, para além de nos panfletos descobrir sempre mais qualquer coisa que desconhecia e os trazer como recordação. Aqui, venho especialmente à procura duma informação: como chegar à igreja de Boyana, património da humanidade e que fica nos arredores da cidade.

Igreja de Boyana, Sófia, BulgáriaJá a contar com pessoas como eu, têm umas folhas com tudo explicadinho para lá chegar. Caminho até ao cruzamento onde passa o mini-bus e apanho-o. Sinto com isto que estou a sair da Europa. Volto a reencontrar os mini autocarros, vulgares carrinhas de 9 lugares adaptadas para transportar passageiros dentro das cidades, mais rapidamente que os comuns autocarros urbanos e a ruas onde estes não chegam.

Com alguma dificuldade consigo encontrar no meio do arvoredo a igreja. Pouco mais sei sobre ela para além de foi declarada património da humanidade pela Unesco e que tem alguns frescos lá dentro.  E na verdade, pouco mais resta para contar depois de a visitar. As visitas ao interior são feitas com guia e é expressamente proibido fotografar. Os frescos são maravilhosos sim, mas como estes há muitos mais noutras igrejas onde é mais fácil de chegar. A questão aqui, e razão da sua nomeação para tão alto posto, deve-se, fico a saber pela guia, a terem sido usadas técnicas inovadoras para a época em que foi pintada, como a perspectiva, etc.

De regresso ao centro acabei por andar um pouco perdido. A cidade é confusa e sem grandes marcas para orientação. Consegui localizar onde estava quando cheguei perto do antigo edifício da universidade. Saio aí e vou até à catedral de Alexander Nevsky, o ex-libris da cidade. Construída para celebrar a vitória sobre os Otomanos, é um edifício maçudo mas ao mesmo tempo harmonioso, com paredes em pedra branca coberta por abobadas verdes. Lá dentro é que pouco há para ver.

Catedral de Alexander Nevsky, Sófia, BulgáriaPor todo o centro continuo a encontrar as obras do metro e por entre elas algumas preciosidades arquitectónicas, como o teatro (onde no jardim está um memorial ao Mickael Jackson), alguns palácios e igrejas. Como umas fatias de pizza que vendem na praça central junto à estátua de Sofia por 1,7LEV, acompanhada de uma boa cerveja. Repito a dose e vou em busca dum cyber café. É estranho, depois de algumas horas em Sófia, ainda não consegui encontrar nenhum. Por fim, depois de ir a um que estava fechado, lá encontro. Fico lá quase duas horas, até às 16:00.

Começa a chover quando saio. Uma chuva miudinha que molha, mas não impede ninguém de sair de casa. E está calor. Tanto que não dá para andar com o impermeável. Durante este tempo consegui contactar com a Couchsurfer que me vai receber nesta cidade e que me deu a morada para ir ter com ela. Tem um filho pequeno. Ela e o marido falam português.

Ele estudou durante 5 anos em Braga e ela viveu cá em Portugal com ele. Tinham saudades do bacalhau e por isso trouxe-lhes um, que nos primeiros dias desta viagem cheguei a temer não conseguir entregar. Antes do jantar vamos fazer uma caminhada por um enorme parque verde, que está para Sófia como Monsanto para Lisboa.

Não jantamos bacalhau nem pizza mas sim algo mais tradicional num restaurante no rés do chão do prédio deles. Vivem num daqueles edifícios cinzentos, mas lá dentro são uma família acolhedora e feliz e eu durmo que nem um bebé, tal como o filho deles, depois deste dia cansativo e uma noite anterior mal dormida.

As minhas fotografias de Sófia

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