Mosteiros de Meteora: 2 dias mais perto de Deus

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Lembra-me que a primeira vez que vi imagens de Meteora foi nas séries do Young Indiana Jones, e mais tarde no filme do 007 também ali gravado. Nem de propósito nos poucos minutos de espera pelo metro que me levaria à estação de comboios de Atenas, passava como som ambiente a banda sonora dos filmes desse meu herói de juventude. (ainda o é :))

Saí de Atenas pela manhã, e após um agradável viagem de comboio pela Grécia acima cheguei pela hora de almoço a Kalampaka, a vila vizinha de Meteora.  A viagem tem troços de cortar a respiração, com passagens por trilhos escavados em desfiladeiros nas montanhas, de vez em quando com vista para o Mediterrâneo, passando também pela base do Monte Olimpo, que neste dia se encontrava enevoado como que a esconder os segredos dos Deuses.

Parque de Campismo
Parque de Campismo

Kalampaka é uma vila no sopé das montanhas, que seria completamente incógnita, não fossem os monges que se instalaram  no topo daqueles pináculos quase inacessíveis à quase 1000 anos atrás.  Ao sair do comboio senti-me como os cowboys solitários a chegarem às povoações do oeste americano. Viajava muito pouca gente naquele comboio e a vila é muito pacata, especialmente na zona da estação. Dirigi-me a pé para o parque de campismo que fica a pouco mais de 1km.  A “frieza” com que fui recebido rapidamente mudou, e todo o staff do parque se revelou super simpático e atencioso.  Sem grandes conversas fui informado de que podia colocar a tenda onde quisesse e usar todos os serviços:  piscina, restaurante, churrasqueiras, etc

Depois de almoço parti a pé, tentando à estação de comboio por um trilho que vinha no mapa,  com o objectivo de saber dos horários e comprar o bilhete para a viagem dois dias depois. Foi-me dito que havia comboio directo para Salonica, ás 7:40 da manhã e não era necessário reservar com antecedência.

Refúgios dos monges ermitas
Refúgios dos monges ermitas

Logo para começar o caminho que vinha no mapa passava dentro das propriedades dum mosteiro, que está fechado. Tive de ir pela estrada.

Mosteiro de Mitropolis em Kalampaka
Mosteiro de Mitropolis em Kalampaka

Depois da estação iniciei outro trilho. Após uns metros havia uma bifurcação: para a direita seguia o caminho empedrado, para a esquerda, um pequeno trilho, meio fechado. Não consigo resistir a estes desafios, e portanto fui pela esquerda. Pouco depois encontrei uns sinais de pista de escuteiros e comecei a segui-los. Esta confiante que fosse por onde fosse ia apanhar uma grande molha, pois o ceu estava cinzento, um ar abafado muito quente, e o trovejões faziam-se ouvir. Perdi a pista num local onde não precisava mais dela. Estava no local mais fantástico de Meteora longe de tudo e com vista para quatro dos 6 mosteiros. As fotos falam por si.

Panorâmica de Meteora
Panorâmica de Meteora

Entretanto começou mesmo a chover. Nunca uma molha me soube tão bem. Com os cerca de 30º que se faziam sentir, uma vista para uma das mais fantástica obras humanas, estava em casa.

Agia Triada - Meteora
Agia Triada – Meteora

 

Meteora
Meteora

Depois de estar muito perto do mosteiro de Agia Triada, decidi deixa-lo para o dia seguinte, e tomar o caminho de regresso, o mais longo possível. Desci pelo Mosteiro de Roussanou, sem entrar, pois aquela hora também já estava a fechar.

Mosteiro de Roussanou
Mosteiro de Roussanou
Trilho
Trilho

Uma vez mais, peguei no mapa e tentei seguir um dos três trilhos que estavam marcados no mapa assinalando passagem por entre os picos mais altos de Meteora. O mapa, que me haviam dado no parque de campismo até era bom. O problema é que, mais uma vez à semelhança com Portugal, em especial no meu vizinho Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, quase todos os trilhos estão sem manutenção. À entrada deste encontrei uma família francesa que também andava à procura, e juntos lá o fomos desbravando… ou pelo menos conseguimos passar para o outro lado pelo meio do mato e dos precipícios.

Meteora é um local realmente especial, é diferente de tudo o que há na Europa. Valeu a pena este trilho por vistas como estas:

 

Mosteiro de Roussanou
Mosteiro de Roussanou

Esta aventura foi sem dúvida recompensadora. Muito mais que mosteiros, em Meteora é a imponência da paisagem que revela a grandeza do criador, especialmente em locais como estes, onde os grupinhos de autocarro não vão.

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No segundo dia em Meteora iniciei a minha visita ao interior dos mosteiros. Para dizer a verdade, pensava, como deve acontecer com muita gente, que a alguns mosteiros ainda hoje se subia pelos famosos guindastes. Mas não. No inicio do século XX foram constr4uidas escadas de acesso a todos eles. Os guindastes das redes continuam lá, agora eléctricos, ao lado dos antigos a corda, mas apenas para ascender mercadorias.

A primeira visita foi ao mosteiro de Agios Nikolaos, o mais baixo de todos, mas nem por isso menos impressionante.

Agios Nikolaos
Agios Nikolaos

Não consigo resistir quando há uma caminho mais estreito, daqueles onde ninguém se mete e Assim foi. Já tinha visto no mapa um trilho que conduzia do sopé dos grandes mosteiros até estes. Para minha sorte este trilho estava em bom estado, excepto numa zona em que andam a instalar a rede de esgotos. Aí encontravam-se os trabalhadores que tinham de carregar com os sacos de cimento às costas trilho a cima (ou a baixo).

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Hora e meia de subida e lá em cima, junto ao Grande Meteoro, o maior dos mosteiros de Meteora, que infelizmente neste dia se encontrava fechado. Todos os dias da semana, rotativamente, há um mosteiro que se encontra fechado.

Grande Meteoro
Grande Meteoro

Mesmo ao lado deste, encontra-se o não menos impressionante mosteiro de Varalam

Varalam (esq.) e Grande Meteoro (dir.)
Varalam (esq.) e Grande Meteoro (dir.)

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Sistemas de ascensão em Varalam: o Antigo e o Moderno

Junto a estes mosteiros há um grande parque onde param os autocarros, com roulotes que vendem recordações e comida. Almocei aqui dois cachorros e parti, agora pela estrada para Roussanou, pois não há trilho que supere o escarpado que os separa.

Roussanou é o único mosteiro feminino de Meteora, e é capaz de ser isso que explica a grande festa que se ouvia lá dentro no dia anterior depois deste fechar 🙂 . Este deve ser o mosteiro que está mais próximo do chão, pelo menos dum lado, porque do outro é bem diferente, como se pude observar e bem no dia anterior.

Mosteiro de Roussanou
Mosteiro de Roussanou

Um pouco mais afastados destes, encontram-se os outros dois mosteiros. Pelo caminho, que se faz pela estrada que nesta altura estava em obras passa-se por vários miradouros com vista fenomenais como estas:

Meteora
Meteora

Chega-se por fim ao mais famoso dos mosteiros de Meteora: Agia Triada, que é como quem diz: Santíssima Trindade. De certas perspectivas, este é o mais fotogénico dos mosteiros, pois dá a verdadeira imagem duma rocha no meio dos céus. O mais engraçado é que lá em cima para além dos edifícios há também espaço para belos jardins por onde se pode caminhar. É como estar numa pequena ilha, ou melhor, é como estar numa nuvem do céu. Para criar ainda um ambiente há um carrilhão de sinos exterior que vai tocando com o vento.

Agia Triada
Agia Triada

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Chegou assim às 2:30 da tarde, faltando-me apenas um mosteiro Agios Stephanos. Tive de esperar até às 3 para que ele abrisse. Enquanto esperava, pode observar duas coisas interessantes à volta deste. A primeira foi haver um carro de alta cilindrada estacionado dentro do mosteiro, a outro foram os dois monges que lá chegaram num Peugeot velho, com as suas barbas muito grandes e todos vestidos de preto. Em Portugal seriam por muito rotulados de metaleiros, gandulos, drogados. Aqui são homens de Deus.

Mosteiro de Agios Stephanos
Mosteiro de Agios Stephanos

E assim terminaram estes dias em Meteora. É-me muito difícil eleger os melhores lugares que visitei nesta viagem, mas este está sem duvida entre os 3 primeiros.

Tenho no site uma outra página com informação prática para visitar Meteora: guia prático para visitar Meteora

Clique aqui para ver os outros dias desta viagem

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