Mosteiro de Montserrat, Catalunha

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Tudo começou há um tempo atrás (Dezembro) quando andava a procura dum destino com voos super lowcost (tipo promoções Ryanair a 0,01€ ou algo parecido, para uma semana que tinha livre em Fevereiro. Um belo dia lá se alinharam os astros e apareceu-me uma promoção para os dias que eu queria com uma resma de destinos a 1€ para cada lado. A escolha acabou por recair em Barcelona. Com as taxas do cartão de credito acabou por ficar a 12€ ida e volta.

Assim, dia 10 de Fevereiro à tarde lá tomei o autocarro da Batalha para o Porto, que me custou 15€, mais do que ir e voltar a Barcelona de avião, depois o metro, e logo o avião até Girona.

Começa aqui a aventura. 🙂
Como se não bastasse o nevoeiro cerrado na pista que nos fez esperar mais de meia hora a rodopiar no ar, duas filas à minha frente ir um bebé chorão (especialmente sensível às variações de pressão). Parecia mesmo que de manhã iria chegar ali o D. Sebastião, como que num ataque surpresa pela retaguarda, conquistando assim Espanha para os portugueses.

A agravar a situação, pensava nos boatos de que a Ryanair põe pouco combustível nos aviões para poupar…. Acabamos por aterrar certamente quando o depósito já estava seco, porque o nevoeiro esse, só com dificuldade permitia ver a ponta das asas, e nunca me tinha acontecido saltar no banco com o impacto na pista, e ver depois disso o avião inclinar como se fosse curvar… Mas pronto, estávamos todos vivos e bem de saúde e o bebé lá se calou. Ao meu lado ia um colega de Coimbra que encontrei por acaso ali no seu baptismo de voo.

Como já vem sendo hábito, a primeira noite foi passada no aeroporto. Este foi mesmo o melhor que já encontrei: bancos bem ergonómicos, quentinho mas não muito e pouco movimento à noite; só falha ter musica ambiente a noite toda. Por causa disso e da ansiedade, passei uma grande parte da noite acordado, até que lá ferrei sono. Tinha previsto apanhar o primeiro autocarro para Barcelona às 8 da manhã, mas acabei por acordar já passava das 8, no meio da agitação da manhã.

Apanhei o autocarro seguinte para Barcelona. À chegada, enquanto ouvia no mp3 o verdadeiro hino “Barcelona” do Freddie Mercury e da Montserra Caballe, eis que vejo assim como saído dum conto de fadas o Templo da Sagrada Família. Épico! A primeira, e rápida, impressão foi dum casinha de brincar ali encaixada no meio de todas aquelas ruas paralelas. Mas isto tinha de esperar mais um dia. Neste dia tinha programado ir até Montserrat e por isso apanhei logo ali o metro para a praça de Espanha, e aí o comboio até Montserrat. Na estação subterrânea da praça de Espanha existem bastantes indicações para a plataforma de acesso a Montserrat, e até um pequeno stand que dá todas as informações assim como o pessoal auxiliar com as suas camisas vermelhas é muito prestável.

Teleférico para o mosteiro de Montserrat, Catalunha
Teleférico para o mosteiro de Montserrat, Catalunha

Montserrat é um famoso mosteiro encaixado a meio dum dos pontos mais altos da Catalunha, um impressionante maciço rochoso a 30km de Barcelona. A minha ideia inicial era subir a pé, e percorrer mais alguns dos inúmeros percursos de trekking existentes até Colbató, do outro lado da serra. No entanto tinha combinado com a couchsurfer que que ia receber de estar lá às 4:30 da tarde, e sendo já meio dia tive mesmo de apanhar o teleférico até ao mosteiro.

Este teleférico, conhecido por AERI, vence um desnível de 544m em 5 minutos. É também uma viagem no tempo pois foi construído em 1930, e mantém o mesmo traço de outrora.

Uma vez lá em cima, fiz uma rápida visita à basílica e à estátua da Nossa Senhora Negra, onde pude tocar no mundo que ela segura numa mão, e pedir para um dia o conhecer todo;

A montanha vista da porta do mosteiro de Montserrat
A montanha vista da porta do mosteiro de Montserrat

A pequena estátua de madeira da Virgem Negra de Montserrat, adorada localmente como “La Moreneta” é o coração do mais sagrado local da Catalunha onde se encontra a basílica e mosteiro de Montserrat, próximo do topo da impressionante montanha do mesmo nome e que foi o primeiro parque natural a ser criado há mais de um século atrás.

No local não havia muitos turistas/peregrinos, primeiro por ser meio da semana e depois também provavelmente pela estrada de acesso estar fechada devido a desabamentos de terras nas ultimas semanas, fazendo-se o acesso apenas pelo AERI. Terminada a rápida visita, comi a bucha, fui pedir uns mapas dos percursos existentes e pus-me a andar serra acima.

Mosteiro de Montserrat, Catalunha
Mosteiro de Montserrat, Catalunha

Em 3 horas previa ter tempo de chegar a Colbató e ainda passar pelo alto de S. Jordi, o ponto mais alto. O inicio da subida é extenuante, quase sempre em degraus, e os trilhos não estão muito bem marcados. Acabei por me desorientar num dado ponto, e fez-se tarde. Cheguei a ter o alto de S. Jordi, a menos de 500metros, mas tive de desistir e tomar o caminho que me levava para S. Juan.
O tempo estava do melhor. Fresquinho, com as nuvens a anunciar chuva, e mesmo a caírem algumas gotas para assentar o pó, e pelo caminho encontravam-se sempre alguns caminhantes.

Cheguei assim à ermita de S. Juan. Para dizer a verdade não achei grande piada ao Mosteiro de Montserrat. É demasiado turístico, tipo Fátima. Adoro mosteiros e ermitas perdidas no meio das montanhas, e S. Juan era exactamente o que procurava. Fica lá bem no topo, afastado de toda a civilização. Por perto apenas umas cabras selvagens. Mais que a capela, existem umas ruínas suspensas nas rochas, que aproveitavam pequenas covas onde os ermitas viviam. Agora sim tinha valido a pena toda esta caminhada. A comparação com Meteora na Grécia era inevitável; pelas outras ruínas que encontrei pela montanha, aqui deve ter existido em tempos um complexo semelhante, embora não tão espectacular. Estes locais encantam-me verdadeiramente. Ainda um dia me trono ermita, nem que seja por uma semana 🙂

Ermida no topo de Monstserrat, Catalunha
Ermida no topo de Monstserrat, Catalunha

Terminado isto, era hora de começar a descer. Havia uma placa que indicava Colbató, para onde queria ir, e tomei o trilho. Era bastante sinuoso, sempre a descer, com alguma chuvinha à mistura. Já tinha pesquisado alguns percursos na net antes de ir, e só depois comecei a notar que esta num que era considerado como perigoso, especialmente com tempo de chuva. Algumas secções só dava mesmo para descer sentado a fazer “sku”. Felizmente correu tudo bem, mas podia ter acabado mal.

Uma cabra, bem mais preparada para estas andanças em Montserrat
Uma cabra, bem mais preparada para estas andanças em Montserrat

Assim, acabamos por chegar os dois ao mesmo tempo ao local de encontro, as Cuevas de Salnitre, umas grutas, que infelizmente estavam fechadas, e onde Gaudi se terá inspirado para as suas obras.

A Lluisa, uma senhora super simpática que vive com a sua filha em Esparraguera, uma vila a 5km, simples, mas bastante bonita, foi a minha anfitriã. Tive ainda tempo nesse final de tarde depois te tomar um duche, de dar uma volta pelas ruelas da vila.

Montserrat visto de Esparraguera
Montserrat visto de Esparraguera

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Fotografias de Montserrat

Fotografias de Esparraguera

Olá! Eu sou o Samuel, autor do artigo que acabou de ler. Como você, também gosto de viajar e descobrir povos e lugares. Partilho neste blog as experiências vividas nos vários países por onde já andei. Pode saber mais sobre mim na página Sobre o autor. Espero que tenha gostado e, se tiver alguma coisa a acrescentar, deixe um comentário abaixo.

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