Fronteira de Marrocos com a Mauritânia

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Nota: A informação contida nesta página é relativa a uma viagem realizada em Dezembro de 2006. Sei que entretanto houveram algumas alterações nas entradas na Mauritânia, nomedamente em relação ao visto e à própria fronteira que está diferente. Por isso informe-se bem antes de ir. Recomendo esta página do meu amigo João Leitão, que passou lá há menos tempo que eu: Viagens Mauritânia.

Neste fórum (http://www.portugal4x4.com/forum/viewtopic.php?f=8&t=184) encontra a informação mais actualizada que conheço à data.

Há alguns anos atravessar esta fronteira demorava 2 ou 3 dias, com algumas chatices e despesas. Era necessário esperar em Dakhla, 300km a Norte, para circular em comboio militar até à fronteira. Como esta viagem só se fazia 2 vezes por semana, juntavam-se centenas de veículos o que gerava enorme confusão. Hoje é bem mais fácil, pode circular-se a qualquer altura. O único senão são os 3km de terra de ninguém que estão num estado lastimável. É necessário seguir o trilho, rodeado de minas, mas sem perigo pois vê-se bem por onde se deve ir. Com sorte, se houver pouco movimento em duas horas passa-se.

Bandeira de Marrocos Saída de Marrocos

marroc.jpg

Depois de entrar na zona murada, pare o carro do lado direito,e dirija-se com os documento pessoais e da viatura ao vários “guichets”. No mais à esquerda é entregue o passaporte e carimbada a saída. No do meio tratam-se dos papeis das viaturas. É necessário entregar a autorização de circulação temporária em Marrocos que foi fornecida à entrada do país. Sem ela só poderá sair de Marrocos por onde entrou. É provável que queira verificar o numero de chassis da viatura.

No nosso caso, chegamos ao meio dia, quando fechavam para almoço, supostamente até ás 2 ou 3 da tarde. No entanto a espera prolongou-se até depois das 4 da tarde devido a uma suposta dificuldade de comunicações que estavam a ter.

Depois de tratadas as formalidades dirija-se ao controlo militar, onde alguns militares, à sombra duma pequena árvore encostada a uma ruína lhe vão pedir o passaporte e uma fotocópia deste. Verificam o visto de saída e dão ordem para seguir para a “terra de ninguém”.

No man’s land

A Mauritânia está separada de Marrocos por uma faixa de 3 km de largura, que é atravessada por o que resta de uma antiga estrada asfaltada do tempo do tempo da colonização espanhola.

Não é necessário um todo-terreno, mas terá de ir com cuidado para não roçar constantemente nas pedras do caminho. Passear pelas dunas que rodeiam o trilho também não é aconselhável, uma vez que este está rodeado de minas. A comprova-lo há algumas carcaças de veículos.

Bandeira da Mauritania Entrada na Mauritânia

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Ao entrar na Mauritânia encontra logo um primeiro posto onde, se não o tiver, deverá obter um visto que custa 20€.
Já com o visto, pegue no carro e dirija-se ás casas de madeira que estão mais à frente (ver foto em baixo).

Fim da terra de ninguém: o posto fronteiriço da Mauritânia
Fim da terra de ninguém: o posto fronteiriço da Mauritânia

Aí, dirija-se com os passaportes e os documentos do veículo à casa da esquerda, onde será carimbada a entrada depois de preenche um formulário com os dados pessoais.

Não é mais necessário fazer declaração de divisas à entrada no país, mas ainda assim eles poderão pedi-lo, na expectativa de conseguir sacar alguns euros. No nosso caso correu tudo na perfeição e pagamos apenas os 20€ pelo visto.

Tratando da documentação na fronteira da Mauritânia com Marrocos
Tratando da documentação na fronteira da Mauritânia com Marrocos

Enquanto isto, andou constantemente a perseguir-nos um tipo que vendia pacotes turísticos e fazia câmbios de divisas, alegando que era necessário pagar o seguro em “ouguiyas”. Lá trocamos umas quantas, para o que viesse. Quando fomos fazer o seguro, acabámos por pagar em euros pois eles afinal também os aceitavam.

4 COMENTÁRIOS

  1. Ontem passei por lá num Nissan Micra em 15 minutos, e ia com toda a calma. Ainda parti o carter, mas com uma lata de óleo e um aparelho de soldar resolvi a questão. Os tipos são chatos, de facto, de ambos os lados…

  2. Estimado Senhor:
    Quero antes de mais agradecer-lhe pelas informaçºoes que nos dá no seu blog acerca da sua viagem de aventura por terra de Portugal até à Guiné-Bissau. Devo dizer que também já fiz esta viagem este ano de 2010 e felizmente as coisas não correram assim tão mal, a não ser os falsos colegas com quem fui que até me abandonaram em plena África por três vezes, mas tudo se resolveu e tudo se passou e agora estou a preparar nova viagem até á Guiné novamente para este mês de Outubro, mas com outros colegas que são alguns já conhecidos e posso aceitar mais alguem mas com vontade de fazer um grupo unido, porque para uma viagem desta temos de ir com gente de confiança. quem estiver interessado tem o meu e-mail: guinelover.bissau@gmail.com

  3. Carlos,
    Obrigado por ter partilhado a sua história! Depois de passadas, estas aventuras de viagem dão para rir, mas na altura não têm piada nenhuma 😉
    Um destes dias alugo uns autocarros e junto todos os que gostavam de fazer/repetir esta viagem 😀
    Abraço
    Samuel

  4. Fiz a viagem Leiria-Guiné Bissau em 1994 e era com diz! Tivemos a sorte mesmo assim de esperar apenas uma noite, enquanto que um grupo de italianos já esperava pelo dito comboio há cerca de 1 semana! Depois de chegarmos à “zona de ninguém” de noit, fomos surpreendidos por uma patrulha de soldados a mauritânea armados que nos obrigou a parar. Ali mesmo no meio do caminho tivemos que pernoitar, sendo avisados para não sair para além deste porque estava tudo minado. Pela alvorada saímos sempre escoltados até ao posto fronteiriço que mostra a fotografia. Quando lá chegámos ao ver aquelas “fabulosas” instalações não resisti, apesar de saber ser proibido, de tirar uma fotografia. Fi-lo com todo o cuidadado de modo a nõo ser visto. E não fui! Mas azar o meu, o rolo chegara ao fim e a máquina como era automática fez de imediato a rebobinagem! Agora imaginem, o barulho da máquina e eu a tentar abafar o ruido…impossivel! De imediato fui abordado pelo “chefe” da policia (de calças de fato de treino e chinelo de enfiar no dedo) que de imediato me seu voz de prisão e e confiscou o rolo. Entretanto passava o comboio (o maior, mais lento e mais antigo do mundo), que me deixou sair para ver. Após longa conversação e de termos dado alguns presentes, incluindo um rolo novo que tive que colocar numa máquina que tinha dentro de uma 4L e que teria confiscado a outro viajante, e que tive que colocar uma vez que ele insistia em abrir a máquina com a chave do referido carro! Só visto…
    É um exerto de uma longa e saudosa viagem…que gostaria de repetir…

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