De Foix a Carcassonne – pelas aldeias e mosteiros de França

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O Florian, o couchsurfer que gentilmente me acolheu em Foix, ofereceu-se para me levar até um ponto estratégico para apanhar boleia em direcção a Carcassone, o meu destino deste dia. Vendo o bem que correram as boleias no dia anterior, decidi fazer este dia mais pausadamente, com algumas paragens pelo meio.

Depois de 10 minutos parou uma senhora que me levou por alguns quilómetros. Ia a ouvir musica gregoriana, que se enquadrava perfeitamente naquela paisagem matinal, e que deixa antever a magia do dia que se aproxima. Parou para eu sair junto a um cruzamento. Assim que saio do carro, estico o dedo e, o primeiro carro que passa, pára. Incrível. Nem dá para acreditar. É uma linda rapariga que vai para o seu trabalho em Mirepoix.

Mirepoix – o gótico ao natural

Pelo caminho o rádio toca gospel e ela canta. Fala um pouco de inglês. O gospel parece-me ser bastante popular aqui por França. Por vários locais do país encontrei cartazes para concertos Gospel em igrejas. Deixa-me na praça central, e começo por visitar a igreja que por dentro se revela impressionante.

Apenas de uma nave, enorme, o interior é escuro. Não há luz artificial, apenas a que entra pelos seus belos mas pequenos vitrais. Parece saída dum filme de cavaleiros medievais. Por entre várias obras de arte descubro alguns quadros muito bons.

Catedral de Mirepoix, França

Cá fora, a praça central ladeada de casas típicas merece uma visita pausada. É momento de escrever alguns postais. Digo aos felizes destinatários que se isto continuar assim, fico por França. E é verdade que o sinto. Se os dias têm sido bons até agora, este está  a ser perfeito.

Praça central de Mirepoix, FrançaVer mais fotografias de Mirepoix

Sigo novamente para a boleia à saída da povoação. Espero uns 20 minutos. Um recorde até  agora. Pára um marroquino que até vai para Carcassone. Eu no entanto venho com a ideia de parar numa localidade a meio caminho, e quando me aproximo e a vejo, peço-lhe mesmo para parar.

Uma bênção para o caminho

Fanjeaux é uma aldeia pacata com pouco para visitar. Uma igreja que até está fechada, uma casa dum santo e, um mosteiro onde se deu um milagre e se é hoje recebido pelas simpáticas freiras que o habitam. Num centro cultural decorre uma exposição sobre os mosteiros da região. Pergunto aí se é possível visitar o mosteiro de Prouille que já tinha observado que ficava a caminho de Carcassone. Dizem-me que não, que está em obras de restauro. Fica a cerca de 1km, e como ali não encontro nenhum bom local para pedir boleia, decido caminhar até lá. Há algo que me atrai naquele mosteiro, e sinto o destino a empurrar-me para ele.

Fanjeaux, FrançaNa porta principal, um papel indica que está fechado, mas que a porta de entrada agora é pela lateral. Quando me aproximo aparece uma senhora a quem pergunto se posso visitar. Ela diz que sim e convida-me a entrar, e a a ir com ela, não entendo bem onde, pois o meu Frances é muito limitado.

O templo está em obras, e depois de tirar algumas fotos começo a ouvir cantos vindos da porta onde ela foi. Vou ver. Lá dentro estão as irmãs a preparar a oração do meio dia. A senhora que encontrei antes convida-me a entrar. Estava  um pouco receoso de o fazer por estar de calções, que  não é o traje mais apropriado para aquele local, mas ela prepara logo um livro com os cânticos e convida-me a juntar a elas.

Chegam mais algumas por outras portas, uma senta-se num instrumento tipo piano, mas de som ainda mais suave e começam. Há apenas mais dois homens na sala. Dois religiosos. Um negro, já com alguma idade, e um jovem monge, que parece ser até mais novo que eu, de cabelo rapado e hábito. A oração dura 20 minutos, e inclui cânticos, leituras e movimentos de adoração.

Mosteiro de Prouille, Fanjeaux, FrançaQuando termina saímos. Os religiosos por um lado, os outros por outro, sem grandes palavras, apenas uma troca de sorrisos de agradecimento por este momento mágico.

Os últimos quilómetros até Carcassone

Estou agora iluminado para continuar esta viagem. Não me convidam para o almoço que me parece estarem a preparar cá fora, e por isso tenho de me contentar com o meu pão e chouriço. Passam muito poucos carros aqui, mas em 10 minutos há um pedreiro que pára e me dá boleia por alguns quilómetros.

Assim que ele me deixa, pára imediatamente outro carro que me leva. Também não vai para a cidade, mas deixa-me supostamente perto. Decido ir a pé. Na minha cabeça pairam imagens de castelos medievais, que espero ver a aparecer no horizonte a qualquer momento. Mas não. Afinal não estou assim tão perto e o lado de que me aproximo também não é propicio a essas vistas épicas. Caminho sem água debaixo de um sol escaldante até encontrar um hipermercado para me abastecer antes da aproximação final à cidade muralhada. Chego finalmente à cidade medieval de Carcassone.

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Olá! Eu sou o Samuel, autor do artigo que acabou de ler. Como você, também gosto de viajar e descobrir povos e lugares. Partilho neste blog as experiências vividas nos vários países por onde já andei. Pode saber mais sobre mim na página Sobre o autor. Espero que tenha gostado e, se tiver alguma coisa a acrescentar, deixe um comentário abaixo.

2 COMENTÁRIOS

  1. É verdade! A sorte esteve do meu lado nestes dias. Caminhos e atalhos foi no dia 20. Também já está online.
    O que eu gosto mesmo é quando chego aos monumentos, mostro o cartão de estudante e me dizem que é grátis! Na Grécia era sempre assim, mas por aqui nem sempre.
    Já me tinha esquecido de referir o meu orçamento record. Já vou falar dele na página do resumo da viagem.

    bjinhos
    Os teus comentários são sempre bem-vindos!
    Samuel

  2. Campos de girassóis!
    O marroquinho.. O mosteiro, as gajas giras… Andaste cheio de sorte.
    Eu cá, também gosto de mosteiros.. Apesar de não praticar a fé, gosto dos mosteiros não sei porquê..
    Andaste armado em Cavaleiro das trevas a caminhar até ao castelo e sem água.. Às vezes eu também me meto por caminhos e atalhos sem estar bem prevenida.. Já apanhei algumas surpresas menos boas lol ou algumas situações de resistência mental e física.
    “Estou agora iluminado para continuar esta viagem” –> lol, muito bom mesmo
    Pois, esses patrimónios da humanidade costumam estar sempre a abarrotar pelas costuras.. Mas também andaste por sítios menos conhecidos 😉
    Eu infelizmente já não tenho essas borlas dos 25 anos porque fiz 26 este ano. Mas segundo o novo acordo, a partir do ano que vem somos jovens até aos 30.. O Cartão jovem vai ser prolongado.. Toca a passear lol
    Mesmo assim, já fiz este ano várias artimanhas para entrar em museus e sites arqueológicos… Como eu sou piralha, passo por “pitinha”, toca a dizer que é estudante.. Perfeito. Às vezes nem é preciso dizer nada porque cobram o preço de estudante mal olham para mim lol
    “verdadeiros vendilhões do templo.” –> outra grande dica lol
    Eu cá gosto muito de igrejas pequenas e austeras.. É normal que essa tenha imensa gente, se é minimamente conhecida ou património. Mas tou a ver que entraste no ritmo lol
    A comer pão com chouriço e a surfar nos colchões.. Aposto que gastaste uma ninharia…**

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