Deli: um dia pelos locais património da Humanidade

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Viagem à Índia: Deli

Prova de riqueza histórica e cultural da Índia é a enorme quantidade de locais classificados pela UNESCO que encontramos no país. Só em Deli, a sua capital, há 3 locais Património da Humanidade. São eles o Mausoléu de Humayun, o Forte Vermelho e o Minarete de Qutub.

Deli é uma cidade enorme e com muito mais para ver para além destes locais. Visitei-a em Maio de 2016, no pico do calor e como tinha apenas um dia para visitas, restringi-me a pouco mais que estes locais.

A deslocação na cidade é muito fácil, quer seja recorrendo aos riquexós, quer à moderna rede de metro. Mais abaixo explicarei melhor os transportes em Deli.

Anoitece nos bazares de Deli
Anoitece nos bazares de Deli

A minha visita a Deli

Ao contrário da maioria dos viajantes, não aterrei na capital da Índia, mas sim em Bombaim. Passei depois quase uma semana a visitar Goa, antes de voar para Deli. Com uma viagem de avião a meio da manhã e outra de táxi até ao centro, seguiu-se uma busca pelo hotel no caos dos bazares. Restou pouco tempo no primeiro dia.

À chegada, a minha grande prioridade foi ir à estação de comboios. Precisava de reservar os bilhetes para as viagens dos dias seguintes e foi o que fiz. Fiquei assim apenas com um dia para explorar a cidade.

O Forte Vermelho

Comecei o dia por apanhar um auto-riquexó para o Forte Vermelho. O condutor optou por ir por um caminho que, embora me tenha parecido mais longo, acabou por me levar a ver um pouco de Nova Deli, com avenidas largas e bastante limpas e verdes. Especialmente se comparadas com as ruelas dos bazares.

Colossal entrada nas muralhas do Forte Vermelho
Colossal entrada nas muralhas do Forte Vermelho

Como na generalidade dos monumentos de Deli, a entrada custa 500 Rupias para os estrangeiros. Depois de passar no controlo militar, lá se entra pela monumental porta de Lahore, ladeada de lojas de souvenirs. Os vendedores parecem já saber que pouco podem esperar de mim.

O enorme recinto no interior das muralhas é composto por verdes jardins e vários edifícios que constituíam o antigo palácio. Muitos deles foram destruídos ou danificados pelas tropas britânicas, que usaram o espaço como quartel militar.

Detalhes dos mármores decorados dos palácios
Detalhes dos mármores decorados dos palácios
Visitantes no Forte Vermelho de Deli
Visitantes no Forte Vermelho de Deli
Portão dos elefantes visto do Diwan-i-Am no Forte Vermelho de Deli
Portão dos elefantes visto do Diwan-i-Am no Forte Vermelho de Deli

Alguns elementos aqui presentes são comuns a outros palácios e fortes da Índia, como o forte de Agra ou o palácio Amber em Jaipur. O Diwan-i-Am, a sala das audiências, era um enorme recinto coberto, suportado por grandes colunas, onde eram recebidos os convidados. Um pouco atrás fica o portão dos elefantes, onde os forasteiros desmontavam dos seus elefantes à chegada ao forte.

Hoje a fauna é outra e por todo o lado há milhares de pequenos esquilos prontos a atacar os visitantes. Especialmente os que ousam comer biscoitos na sua presença!

 

Transportes em Deli: do metro ao ciclo-riquexó

Depois do Forte Vermelho e de uma passagem pela mesquita Jama Masjid (de que falarei mais abaixo), segui para o segundo património da Humanidade do dia. À saída da mesquita, um janota com o seu ciclo-riquexó meteu-se comigo. Pede-me 100 rupias para me levar à estação de metro mais próxima. Sei que é perto e que o preço que ele pede é alto. Ofereço 30, ele baixa para 50 e depois para 40 rupias. Aceito.

À chegada dou-lhe a nota de 50 Rupias. Tomei por hábito dar uma gorjeta aos desgraçados que andam aqui a dar ao pedal. Acontece que este ainda reclama dizendo que quer as 100. A discussão acaba comigo a descer para a estação. Sei que um indiano não pagaria mais de 15 ou 20 rupias por este trajecto.

Na estação de metro a máquina de venda automática está avariada. Há 4 guichets bem confusos já que as filas são pouco respeitadas por estes lados. Por fim lá chega a minha vez.

No vidro há um mapa da rede de metro com a indicação do valor a pagar para cada destino. Sobre cada estação está indicado o valor a pagar. No meu caso, para SLN Stadium são 15 Rupias. Recebo um pequeno Token de plástico, que se passa pelo leitor magnético para abrir a cancela. Na estação final, deposita-se na máquina que abre a cancela para sair.

Chamo a atenção para os trocos, já que numa das compras a menina da bilheteira enganou-se. E não me pareceu que tenha sido acidental…

O mausoléu de Humayun

SLN Stadium é a estação de metro mais próxima do Mausoléu de Humayun. Por 60 Rupias apanho um auto-riquexó para lá chegar. O bilhete de entrada custa umas módicas 500 Rupias para os estrangeiros como eu.

Mausoléu de Isa Khan em Deli, Índia
Mausoléu de Isa Khan em Deli, Índia

Assim que deixamos a Velha Deli e vamos para Nova Deli, deixam de haver razões para nos queixarmos de sujidade e ruas cinzentas. O verde está por todo o lado, em jardim e avenidas com boas sombras.

O recinto que cerca Humayun não é excepção. Jardins cuidados, relvados que convidam a uma sesta à sombra de uma árvore, água que corre pelos canais artificiais. Um pedaço de paraíso no centro da metrópole.

Assim que se entra, à direita, fica o pequeno mausoléu de Isa Klan, um nobre da corte de Sher Shah Sur, no século XVI.

Depois, passando por mais uma monumental porta sob a qual há um museu sobre o local, entra-se por fim no recinto do Mausoléu.

Mulheres indianas de visita ao mausoléu de Humayun
Mulheres indianas de visita ao mausoléu de Humayun

A enorme cúpula de mármore faz inevitavelmente pensar no Taj Mahal. Ao que parece, este mausoléu serviria de inspiração para essa maravilhosa obra.

Talvez a arquitectura não seja tão harmoniosa, mas a conjugação de cores do arenito vermelho com o mármore branco, criam um conjunto lindíssimo. Depois vêm os jardins e o colorido dos fatos das indianas completar o cenário.

Sento-me por um bocado na relva, também ela quente. Chegam frequentemente turistas, ora estrangeiros, ora indianos. Uns sozinhos, outros acompanhados. É frequente ver casais europeus acompanhados por guias. Todo o espaço transpira tranquilidade. Nada que se compare a outros monumentos da Índia. Creio mesmo ser daí que vem o seu especial encanto.

O minarete de Qutub

Findo isto, só me faltava ir a um local UNESCO: o minarete de Qutub. Um pouco mais afastado do centro da cidade cheguei a temer não ter tempo de lá ir. Valeu que com o excelente metro, acabou por ser fácil e rápido chegar lá.

À chegada à estação, onde o metro já circula fora dos túneis, tive o primeiro stress desta viagem. Foram muitos os condutores de taxi e auto-riquexó que se ofereceram para me lá levar, já que o minarete fica a cerca de 1 quilómetro da estação. Desconfiei logo. Um ofereceu-se para me levar de táxi por 50 Rupias. Barato.

Assim que iamos a arrancar começou a dizer que primeiro ia-mos ao “shop“. Disse que não queria, mas ele insistia. Em poucos segundos estava a abrir a porta do taxi em andamento. Ele parou e eu saí. Mais um taxista que me apareceu no caminho a dar mau nome à classe. Detesto taxistas. Cenas destas já me aconteceram um pouco por todo o mundo.

Aparte isto, o minarete de Qutub foi muito para além do que a minha mente poderia imaginar. Tudo me impressiona no local. A bilheteira rodeada de árvores, lojas de recordações e bebidas, filas organizadas, tudo limpo e arrumado. O preço da entrada: 500 Rupias.

O impressionante minarete de Qutub
O impressionante minarete de Qutub

Poucas construções até hoje me impressionaram como esta. Os pequenos blocos elevam-se até aos 73 metros, formando a mais alta construção de tijolos do mundo! Um dos mais belos exemplares da arte indo-islâmica.

Como se não basta-se, em redor do minarete encontra-se o que resta das grandiosas mesquitas ali construídas com os restos da demolição de dezenas de templo hindus ali existentes. Os belos detalhes das colunas dão para imaginar não só as mesquitas, mas também os templos que lhe deram origem no século XII.

No centro desta encontra-se o enigmático pilar de ferro. Com 7 metros de altura, mais de 6 toneladas de peso e construído com tecnologia que supostamente não era conhecida naquela época.

Pilares das ruínas das mesquitas do complexo de Qutub
Pilares das ruínas das mesquitas do complexo de Qutub

À sombra do grande minarete jaz um testemunho de que por vezes o génio humano atinge a loucura. O sultão Ala-u-din pensou no século XIV construir um segundo minarete, mas com o dobro do tamanho. Com alguns desmoronamentos durante a sua construção, viria a morrer antes da obra terminada. Nenhum dos seus sucessores a quis terminar.

Minarete de Alai, junto ao minarete de Qutub, Deli
Minarete de Alai, junto ao minarete de Qutub, Deli

Mesquita de Jama Masjid

Ainda que não seja local património da humanidade, não podia deixar de visitar a mesquita de Jama Masjid. A principal mesquita da Índia fica a escassas centenas de metros do forte vermelho e foi construída na mesma época deste: século XVII.

Por 30 rupias apanho o primeiro ciclo-riquexó desde o forte até à mesquita. Não posso negar que custa ver o esforço do homem que puxa por mim. Em redor da mesquita fervilha um colorido mercado onde há desde motores eléctricos com muitas dezenas de cavalos a roupas e brinquedos.

Ao contrário do que acontece em países corrompidos  pelo turismo, passo indiferente aos olhares dos vendedores. À entrada um miúdo trata logo de arrumar as minhas sapatilhas. deduzo logo que vou ter de pagar no final. O chão escalda!

À entrada pago 300 Rupias. Isto claro, porque sou europeu e infiel. Andam por ali mais um ou dois grupos de turistas reformados europeus e dezenas de indianos a tirar selfies. As malditas selfies que tiram do sério qualquer um que ande pela Índia. É doentio.

Mesquita de Jama Masjid em Deli, India
Mesquita de Jama Masjid em Deli, India

Embora exausto com o calor e já sem água na garrafa decido mesmo assim subir ao minarete. Aqui são poucos os visitantes já que o preço é o mesmo para todos, incluindo indianos: 100 Rupias. Fiquem ainda as senhoras a saber que as mulheres podem subir, mas têm de se fazer acompanhar por um homem…

A vista do topo  é algo fenomenal. Aqui, longe do caos urbano lá de baixo, a cidade revela um outro encanto. Ainda nem me tinha apercebido do colorido dos edifícios, já que nas ruas a prioridade é não ser atropelado por uma qualquer viatura de  duas ou três rodas.

Vista do topo do minarete da mesquita de Jama Masjid
Vista do topo do minarete da mesquita de Jama Masjid
Cidade de Deli vista do topo do minarete da mesquita de Jama Masjid
Cidade de Deli vista do topo do minarete da mesquita de Jama Masjid

À saída o miúdo das sapatilhas pede-me 100 Rupias. É claro que não lhe dou tanto. Daqui sigo para o metro, como já contei mais acima.

Mapa de Deli

Olá! Eu sou o Samuel, autor do artigo que acabou de ler. Como você, também gosto de viajar e descobrir povos e lugares. Partilho neste blog as experiências vividas nos vários países por onde já andei. Pode saber mais sobre mim na página Sobre o autor. Espero que tenha gostado e, se tiver alguma coisa a acrescentar, deixe um comentário abaixo.

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