Décimo Terceiro: A Bandeira

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(…) Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu (…)
II parte do Hino Nacional, “A Portuguesa” 

Como já referi antes, durante a preparação da viagem decidi comprar umas bandeiras nacionais para desfraldar nas janelas do carro. Mais que o ser reconhecido pelos compatriotas era o orgulho em ser Português, especialmente pelo passado glorioso nas descobertas do mundo que mo pedia.

Logo de inicio colocou-se um problema: não estávamos em época de mundial, nem de europeu, logo o patriotismo nacional estava em baixa, daí as únicas bandeiras existentes eram as que ainda estavam penduradas de pernas pro ar, rasgadas e roidas do clima por estarem hasteadas dia e noite desde o ultimo campeonato de futebol, e uns trapos a que alguns chamam bandeiras portuguesas que se vendem nos bazares orientais.

A poucos dias da partida lá decidi partir em busca de uma loja onde vendessem bandeiras. Após algumas horas a deambular pela baixa de Coimbra lá estava, uma loja de produtos de futebol, entre os quais Bandeiras Nacionais. Escolhi umas da medida dos vidros do carro, mas dei pela falta da etiqueta que deveria dizer “fabricado em Portugal”. Perguntei ao homem se eram mesmo portuguesas ou eram chinesas. Ele respondeu prontamente: “-Estas são Portuguesas, as chinesas têm pagodes e não castelos!”

Ok, se é assim, servem! Fiz o pagamento, 2€ cada uma (ladrões!), mas sem refilar, porque afinal diz que eram mesmo portuguesas!

Ao chegar a casa abri os pacotes e comecei a observar com atenção o produto. Algo de estranho se passava! Em primeiro as costuras eram realmente de muito má qualidade (penso que os orientais conseguem fazer melhor), e pior que isso, a costura que deveria servir para astear a bandeira num mastro estava tapada do lado contrário ou seja, se quise-se enfiar a bandeira num mastro ela ficava de pernas pro ar! Percebo agora porque é que metade das bandeiras que estão por aí penduradas nas varandas e nas antenas estão a fazer o pino…

Comecei a desconfiar… fui enganado. Os próprios castelos não eram bem castelos! Afinal era produto Made in China! Na verdade, também não eram pagodes chineses, assemelhavam-se mais a “arranha-céus”! Mas percebe-se.

É que a china já não é mais o país do chinesinho limpópó, que anda de bicicleta por todo o lado, come arroz com pauzinhos e no seu horizonte vê o Sol nascente sobre a grande muralha e os pagodes. Agora a china é industrializada, e o crescimento demográfico e as migrações para as grandes cidades encurralaram o povo por entre cidades de enormes torres de betão que ocultam os pagodes e a grande muralha. Daí os arranha-céus nas nossas bandeiras!

(…)Glória Antiga, Volta a Nós!!!


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Olá! Eu sou o Samuel, autor do artigo que acabou de ler. Como você, também gosto de viajar e descobrir povos e lugares. Partilho neste blog as experiências vividas nos vários países por onde já andei. Pode saber mais sobre mim na página Sobre o autor. Espero que tenha gostado e, se tiver alguma coisa a acrescentar, deixe um comentário abaixo.

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