Atribulada viagem de Kerak para Petra na Jordânia

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Depois de uma manhã a visitar o fabuloso castelo de Kerak na companhia de duas raparigas holandesas que tinha conhecido dias antes em Amman, era hora de seguir para Petra. Sabia-mos que para Petra teríamos de apanhar um autocarro até Maan e depois outro para Wadi Musa, mas assim que chegamos à estação disseram-nos que estava a sair o autocarro que tínhamos de apanhar para chegar a Petra, e que sim, ia-mos ter de mudar. Entrámos e fomos até Tafila, uma cidade 50km a Sul de Kerak.

Chegados aí, tivemos de caminhar um pouco até outra paragem de onde saíriam os autocarros para Petra. Enquanto esperávamos pelo autocarro seguinte apareceu um homem que se propôs a levar-nos até Petra de carrinha. Não aceitámos e entramos no autocarro, em que o condutor nos disse que ia até Petra. O preço do bilhete era de 1JD e tínhamos de pagar antes de sair e não durante a viagem como é costume. Foi aqui que começamos a notar que estavamos a ser enganados. Antes de nós pagarmos, ninguém mais pagou e as pessoas, viram quanto nós fomos “roubados” e não disseram nada. Quando foi a vez dos locais, pagaram 0,6JD, todos a tentarem esconder o dinheiro para nós não vermos quanto era.

Para ajudar a esquecer isto, e afinal 40centimos também não é nada, a viagem desenrolou-se por uma paisagem fabulosa de montanha.

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25 kilometros depois, numa aldeia próxima da reserva de Dana, o motorista mandou-no sair porque teríamos de apanhar ali outro autocarro para Petra. Como os autocarros andam todos com as janelas fechadas não nos apercebemos bem que estávamos a ser deixados numa aldeia no meio do deserto, e assim saímos.  O que me fez passar foi que atrás de nós vinha o homem que antes nos tinha oferecido transporte com a carrinha. Como é óbvio, dali não havia autocarro nenhum para Petra, e a solução passava mesmo por apanhar uma carrinha dessas. Elas ainda estavam a ponderar ir com ele, mas eu disse logo que preferia ser o primeiro português a chegar a Petra a pé do que dar dinheiro àquele tipo. Entretanto começaram a juntar-se muitos garotos (não deve ser normal haver por ali turistas…) que nos diziam que havia autocarro, outros que não havia, e lá fomos para o suposto local onde se apanhava o autocarro.

Esperámos, esperámos,  passaram autocarros, mas nenhum para Petra, e depois de umas duas horas, durante as quais foram passando também algumas carrinhas que nos iam oferecendo transporte. A dada altura apareceram dois rapazes na casa dos 20 anos que diziam ser policias e trabalhar em Petra. A verdade é que não me inspiraram confiança nenhuma. Já antes tinha aparecido um militar que também não nos ajudou em nada, até colaborou com o homem da carrinha. Eles mostraram o uniforme que traziam no saco, mas muito a medo. Depois fui sorrateiramente espreitar para dentro do saco, e aí desconfiei ainda mais. Nos muitos crachás da camisa havia um com uma caveira e dois ossos, como a bandeira dos piratas. Seria isto normal na farda da policia? Não me quis querer. Só no outro dia em Petra reparei que sim, os policias tinham isso nas suas camisas azuis.

Na paragem com os nossos amigos
Na paragem com os nossos amigos

Com tudo isto fiquei muito desapontado com o povo da Jordânia. Ninguém foi capaz de nos ajudar, dizer que não devíamos sair ali, e não foi por impossibilidade de comunicação, porque todas todos sabiam que um de nós falava árabe. Até os policias, em vez de ajudarem, apenas se aproveitaram de nós para terem uma viagem grátis para Petra (nós pagamos 15JD pela viagem e eles nada…).

Caiu assim por terra a ideia de ainda ir aproveitar a tarde em Petra. Como estava a chegar ao fim o dia, fomos até ao alto duma montanha ali próximo, por cima da entrada de Petra para ver o pôr do Sol, que ali tem tonalidades maravilhosas.

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Ficámos no hotel Valentine Inn, que recomendo a 100%. É um edifício todo novo, tudo funciona, e está impecavelmente limpo e servem à noite um buffet semi-vegetariano por mais 4JD.Guardar

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