31-07-2008 Istambul

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Esta foi a minha primeira viagem num comboio nocturno. Estava na esperança de que na minha cabine fosse encontrar alguma companhia para a viagem, mas não, acabei por te-la toda só para mim.  A noite foi portanto para tentar dormir, com a janela aberta devido ao imenso calor que se fazia sentir, lutando contra a ansiedade de chegar à fronteira.

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Por do Sol
Por do Sol

Pela 1 da manhã batem-nos a porta a pedir os passaportes que só voltam a ser entregues já na Turquia para cada um ir ao posto fronteiriço comprar o seu visto, e umas bebidas e tabaco na Duty Free Shop.

Posto fronteiriço de Unzunköprü
Posto fronteiriço de Unzunköprü
Duty Free Shop
Duty Free Shop

A espera é demorada. Dá para confraternizar com os passageiros das várias carruagens, e já começa o céu a clarear quando o comboio se volta a movimentar. O sono ainda é bastante e tento dormir mais um pouco, mas assim que o sol começa a entrar pela janela sou irremediavelmente atraído para lá. O país em que acabo de entrar, e em especial a cidade de Istambul, é o que mais me surpreende (pela positiva) nesta viagem. Aqui a Portugal chega uma ideia um bocado distorcida do que é a Turquia.  Tenho de confessar que me espantei quando uma amiga turca este Verão me disse que gostava de visitar Marrocos. Na minha ideia, os dois países seriam semelhantes. Parece que somos levados a pensar que todos os muçulmanos são árabes, e que são todos iguais. Mas não. Vindo da Grécia, um país que em especial nas cidades por onde passei, se revelou uma desilusão, Istambul revela-se logo nas primeira ruas e edifícios uma agradável surpresa.

Muralhas Romanas de Istambul
Muralhas Romanas de Istambul
Pelas 11h chego finalmente a Istambul, já convencido que para cumprir o meu calendário teria de fazer uma rápida visita pois tinha perdido um dia com o atraso provocado pela lotação esgotada do comboio. Tudo aqui parece perfeito. Organização, limpeza, preços, comida! Sentia-me capaz de ficar ali por muito tempo, mas com companhia. Pela primeira vez e única na viagem senti que toda aquela beleza devia ser partilhada.
Fiquei num dos muitos hotéis do Sultanahmet o bairro vizinho da Catedral de Hagia Sophia e da grande mesquita Azul, uma zona imensamente frequentada por viajantes. Apenas uma tarde para visitar a cidade não ia dar tempo para me esticar muito em relações sociais. Tinha de ser rápido.
Mesquita Azul ou de Sultanahmet
Mesquita Azul ou de Sultanahmet

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Eu e Pablo Gracia
Eu e Pablo Gracia

À saída da mesquita, a caminho de Hagia Sophia tive um daqueles encontros que não acontecem todos os dias. Estava na cidade Pablo Gracia, um rapaz Argentino que anda a dar a volta ao mundo de bicicleta, tendo já percorrido a América do Sul, África de Sul a Norte e a Europa.  Agora em Istambul arranja dinheiro para continuar viagem para o Oriente. Para isso “vende” a sua história e umas bonequinhas de pano.  Encontros destes fazem sentir qualquer outro viajante “pequenino”. O seu site é: http://www.pedaleandoelglobo.com/ ou  http://www.theworldbybike.com/

Em poucos locais no mundo se podem encontrar tantas maravilhas do mundo como na colina de Sultanahmet em Istambul.  Agia Sofia, primeiro basílica cristã de construção Romana, depois conquistada pelos muçulmanos é agora simplesmente museu. Lado a lado encontramos versos do Corão e frescos cristãos, debaixo de uma cúpula que mesmo em obras só fica atrás da do Panteão de Roma, essa obra prima. Primeiro monumento a pagar na Turquia e constato que os preços aqui são excessivamente altos. Ainda assim, qualquer um deles vale cada cêntimo.

Hagia Sophia
Hagia Sophia
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Como que saído dum filme do Indiana Jones, ali mesmo ao lado das mesquitas há um edifício subterrâneo que merece sem duvida uma visita. A Basílica Cisterna foi uma das principais reservas de água da cidade Romana de Constantinopla e oferece hoje depois de recuperada um dos melhores e frescos locais da cidade. A calma da água e a musica ambiente transportam-nos para um ambiente surreal.

Basilica Cisterna
Basilica Cisterna

Nenhum outro local representa tão bem a grandeza do antigo império Otomano como o palácio de Topkapi. Como que saído dum conto de fadas, ocupa uma enorme área com jardins, salas, museus, etc. Como comecei a verificar que acontece em muitos monumentos turcos, para além do bilhete de entrada, há sempre mais uns extras para comprar. Neste caso é o harem, que ainda me questiono se vale o dinheiro.

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Harem

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O mais interessante neste palácio é no entanto as salas onde estão guardadas algumas relíquias religiosas. É proibido fotografar, ou não estivéssemos (pelo menos é a ideia que é passada) perante alguns objectos  bíblicos que se julgavam estar perdido no tempo.  Mesmo sem ir a Meca, podem-se ver aqui antigas coberturas de ouro da kaaba, a rocha sagrada, entre outros artefactos da cidade santa. Ninguém se vai acreditar (nem eu) no entanto se eu disser que vi a vara com que Moisés separou as aguas do Mar Vermelho, ou os olhos e mãos de profetas, etc. Mas é verdade, estão todos lá, e foram vistos por estes olhinhos que a terra há-de comer 🙂

Das varandas do palácio fica-se com inveja do sultão, com as belas vistas para o bórforo, num local único onde dois continentes separados pelas águas estão ligados por pontes.

Ponte sobre o Bósforo
Ponte sobre o Bósforo
Uma das entradas do Grande Bazar
Uma das entradas do Grande Bazar

Faltava-me apenas um dos locais imperdiveis de Istanbul: O Grande Bazar!

Esperava encontrar mais diversidade de produtos naquele que é provavelmente o mais famoso bazar coberto do mundo. Ou as minhas espectativas iam muito altas, ou este perdeu mesmo a gloria do passado, à custa do turismo.  É sem dúvida uma experiencial única andar perdido no labirinto formado pelas ruas do bazar com todos os seus cheiros, sons e cores, mas compras mesmo é melhor fazê-las cá fora: encontram-se produtos muito mais baratos, pois lá dentro, mesmo regateando eles tendo o rei na barriga e não baixam o preço tanto como noutras lojas.

Com o baixar do Sol, toda a cidade ganha uma nova cor. Estava assim quase terminado o meu primeiro ( e supostamente único) dia de visita a Istambul, com todos os pontos que me interessavam visitados, incluindo uma paragem num “bar” típico para beber um chá e fumar shisha. Faltou o banho turco, que ia um bocado além das minhas possibilidades financeiras, especialmente no Çemberlitas, a mais famosa casa de banhos de Istambul. Fica para a próxima. Á noite ainda deu para dar uma volta pela ponte Galata e pela movimentadissima İstiklal Avenue até a praça Tasquim.

Torre Galata à noite
Torre Galata à noite

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4 COMENTÁRIOS

  1. Olá Samuel,

    Sou brasileira e pretendo passar parte da minha lua de mel ano que vem na Turquia, gostaria de saber que trem (comboio) você usou para chegar em Istambul. De onde partiu?

    Muito abrigada!

  2. 🙂 Adorava ir a Istambul no inverno. Deve ser lindo com neve! CS na Turquia é muito bom. Para além da minha experiência, é tb a ideia de outros que conheço e já experimentaram.

    Boa viagem!
    Samuel

  3. Bom chegar aqui, depara-me com mais um mundo de viagens, este teu…

    Estou de malas feitas para Istanbul, por isso cheguei aqui, bonitas as fotos… Veremos o que o couchsurfing na turquia me reserva!!

    Boas viagens

    teetee

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