2010-05-30 Bran, Bucareste

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Castelo de Bran, RoméniaA minha hóspede passou pelo meu “quarto” ainda eu dormia. Quando me resolvi a acordar e sair do sofá estavam cá fora no jardim alguns dos outros residentes. Perguntei onde era a casa de banho e lá me guiaram para o interior da casa grande. Alguns falavam inglês e os sinais de proibido em algumas das portas da casa levaram-me a concluir que esta funcionava também como pensão. Agradeci mil vezes, peguei na mochila e subi até ao castelo.

Bran estava a acordar. Ainda havia pouca gente nas ruas. No jardim, algumas pessoas pelo aspecto pobres, provavelmente ciganos preparavam pequenos cestos de frutos vermelhas que envolviam em folhas verdes para depois venderem aos turistas que em poucos minutos começariam a chegar. Hoje já não chove, apesar de estar um pouco enevoado. A entrada está envolta de quiosques de souvenires onde salta à vista tudo o que tem a ver com vampiros e histórias de terror.  Grandes grupos de crianças e jovens, devidamente caracterizados mordem nos pescoços a aterrorizam os mais novos. Às 9:00 abrem as portas e subo.

Depois de tanta gente me ter preparado para a desilusão que pode ser o castelo de Bran, acabo surpreendido. Mil palavras não chegam para descrever os cantos e recantos, varandas e varandinhas que compõem este castelo de sonho… ou de pesadelo. Fico um pouco surpreso apenas de não ver logo na primeira sala de entrada referência aos vampiros. A visita “guia-nos” por toda a história do castelo, com especial incidência na sua última habitante, a rainha Maria. Só no ultimo piso encontro por fim duas salas dedicadas ao seu residente mais famoso: Vlad Tepes, o empalador, que inspirou Bram Stroker para o romance “Drácula”. Ainda bem que assim é, mas na verdade, estava à espera de encontrar um castelo transformado num parque temático sobre vampiros.

Museu Nacional de Bran, RoméniaSaio do castelo contente com este desvio pela Roménia. Apesar de não apreciar estas histórias do outro mundo a verdade é que gostei muito deste local. Gostei também um museu ao ar livre mesmo ao lado da entrada, uma oportunidade de conhecer um pouco da antiga vida rural deste país. O espaço, muito bem cuidado e guardado por algumas senhoras que vão fazendo tricot, apresenta várias casas típicas da Transilvânia sobre os telhados das quais se passeiam esquilos. Inveja-me não haver deste graciosos animais no meu país. Compro um pouco duns deliciosos queijos locais que vendem nas bancas das recordações, volto a agradecer à senhora que agora está a trabalhar na sua loja e apanho o primeiro autocarro de regresso a Brasov. Quero agora ir até Bucareste e depois o mais rápido possível para Sófia onde devia ter chegado há já 3 dias.

De volta à gare dos autocarros descubro que não é dali que saem os autocarros para Bucareste, nem tão pouco saem comboios daquela estação que há ali ao lado.  Começo a não perceber esta cidade. Só percebi que estava nos subúrbios quando fui ao café da estação quase deserta e a senhora, mesmo falando apenas romeno, se esforçou ao máximo, fez desenhos e tudo, e me explicou onde ficava a estação principal. Ao caminhar pela cidade tenho o primeiro contacto com a arquitectura urbana da Roménia. Saltam à vista os edifícios degradados e, uma obra que eu aprecio particularmente, uma igreja toda construída em madeira, inclusive o telhado. Chego à estação. A zona que a rodeia já é mais moderna. Consigo um bilhete para daí a uma hora para Bucareste. Pago 1LEI para ira à casa de banho nojenta e mal frequentada por homossexuais. No moderno shopping ali ao lado compro alguma comida para o almoço e para as viagens. Ás 14:05 parto.

Palácio Parlamentar, Bucareste, RoméniaNa primeira metade da viagem percorro florestas e montanhas. É Domingo. Nos parques que vejo da janela há famílias a fazer picnics. Depois chove de novo. O comboio anda a passo de caracol, até porque grande parte da linha está em obras. Por fim, saímos das montanhas, entramos na planície e os últimos quilómetro são feitos em tempo record.  Na cabine de informação turística está uma rapariga super atenciosa, mas que passa o tempo ao telefone. Vai comigo saber dos horários dos comboios. Consigo bilhete para as 8:02, daí a 2 horas. É esse o tempo que tenho para conhecer a cidade. Parto com o mapa da cidade na mão por ali abaixo em direcção ao único edifico que reconheço como sendo de Bucareste: o palácio presidencial. Queria também encontrar um Net Café, mas isso parece ser coisa inexistente na Roménia. Os edifícios  aqui são ainda mais degradados que em Brasov. Assim como toda a cidade. O que não está partido, está em obras. No enorme jardim ao lado do palácio muitos jovens passeiam e convivem na relva. Tiro um auto-retrato junto ao colossal palácio e inicio a caminhada de regresso por outro caminho. Estou a poucos horas de abandonar este país onde entrei há pouco mais de 36h e já estou com saudades. A Roménia e os romenos surpreenderam-me. Janto no McDonalds com o propósito de usufruir das casas de banho, que são sempre boas. Desta vez, nem por isso. Para lá entrar é necessário um código para a fechadura electrónica (1122) que é dado aos clientes e depois, esta é minúscula.

Estação de comboios de Bucareste, RoméniaÀs 8:00 lá está o comboio, pronto a partir. Faz-me sonhar: na frente vêm carruagens que dizem “Moscovo – Sofia”, no meio outras que indicam “Kiev-Sofia” e por fim, as minhas: “Bucarest – Sófia”.  Nos arredores da cidade há acampamentos de ciganos. Depois poços de petróleo, e por fim, escuridão. Ás 21:50 paramos na cidade fronteiriça de Giurgiu. Saio do comboio para tirar uma foto à estação, sem saber que estou na fronteira. De imediato sou acercado pelos guardas que me dizem que não posso tirar fotos. Pedem-me me o passaporte, pedem-me para ver a foto, mas não vêm nada porque ficou toda escura, perguntam-me se sou jornalista. “Não, sou estudante.” Então está tudo bem. Uma hora depois, partimos para cruzar o Danúbio. É com uma enorme vontade de voltar que passo pelas enormes colunas de pedra que servem de porta à Roménia e entro na ponte que cruza um dos mais importantes rios da Europa. Às 23:15 estamos na Bulgária. Acrescentam algumas carruagens à composição e uma bela mulher policia faz o controlo dos passaportes. Acabo de dobrar mais uma fronteira. A quinta dos últimos 5 dias.

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