Viajar de barco da Itália para a Grécia: de Ancona a Patras

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Comprei um bilhete de Deck, a classe mais baixa, que apenas me garantia entrada no barco, para uma viagem de 20 horas. Nunca tinha feito uma viagem “grande” de barco. Para primeira vez, a tripulação não podia dar pior ideia dos homens do mar, em especial dos gregos. Apanhei o que de mais antipático que pode haver à face da água. Não fosse eu uma pessoa calma e acho que tinham havido confrontos físicos naquele barco. E não sou só eu a queixar-me…

A inicio, quando entrei no barco esta a espera de apanhar uma grande seca, mas há dias de sorte. Felizmente que sou português e posso orgulhosamente, e em qualquer parte do mundo mostrar a minha nacionalidade. Sempre que saio em viagem para fora do país levo uma bandeira na mochila ou no carro ou onde seja.

Uma hora depois de termos partido apareceu um rapaz, de certeza o único português para além de mim naquele barco, que me identificou logo pela bandeira!
Passamos a noite no confortável chão alcatifado duma sala de convívio.

A minha tralha

A minha tralha

Há bastante gente a viajar nestes barcos em classe deck, e muitos são os que dormem na rua, normalmente gente dos países do leste que já vêm equipados com tendas e grandes colchões insufláveis.

Colhão Insuflável

Ainda antes do amanhecer, sou informado por um dos colegas de viagem grego, que já estamos na Grécia. E como sabe ele isso? A rede de telemóvel já é duma companhia grega. Aqui está uma nova definição de espaço territorial: quanto mais longe chegarem as ondas da comunicação, mais se estende o nosso território.

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pc-img_0839Amanhecer nas ilhas gregas

Mesmo não sendo grande apreciador de água, o sol grego convida a um banho na piscina do barco antes de desembarcar. A paisagem pela costa montanhosa da Grécia é grandiosa e rapidamente chegados de Ingounemitas (porto onde fazemos uma pequena paragem para a saída de alguns passageiros) a Patras.

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E cheguei assim à Grécia. Hora de me despedir da agradável companhia que tive durante a viagem, e tentar interiorizar que a Grécia já não é mais a terra de grandes filósofos. Para primeiras impressões, a cidade portuária de Patras, que devia ser um cartão de boas vindas ao país, revelou-se uma desilusão. Em toda a volta da vedação do porto havia gente que tentava saltar a rede, e seguranças e policias que faziam o jogo do gato e do rato. As palavras que melhor me ocorreram para descrever tudo aquilo foram: “Portugal no seu melhor”, mas um pouco “melhor”.

Exemplo disso é a rede ferroviária. Apanhei o primeiro comboio disponível para Atenas. A primeira parte da viagem é feita num comboio velho, por uma linha velha, mas em obras. Devagar, devagar, mas vai andando e leva-nos ao destino. A segunda parte, já na nova linha, começa numa estação, completamente nova, mas na qual os comboios novos, estilo metro de superfície, e que deviam encaixar perfeitamente nas plataformas para não haver degraus, ficam com um desnível de 40cm. Erro de concepção? Grécia no seu melhor?

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Como se não bastasse, depois de passar o canal de Coríntio, algo começa a falhar. Mesmo estando a anoitecer, as luzes do comboio apagam-se, o motor parece não ter força para continuar, e ficamos algum tempo no pára/arranca, mais no pára do que no arranca, sem que ninguém explique o que se passa. Segundo um rapaz argelino que conheci nesse comboio, isto é normal. Sinto que me estou a aproximar do Médio Oriente. Pensava é que só o ia notar quando chegasse à Turquia.

Com tudo isto, cheguei a Atenas com duas horas de atraso para o que me foi indicado na estação de Patras, a tempo de apanhar o metro, esse sim bastante moderno, e ir até casa de uma rapariga polaca que contactei pelo couchsurfing.com e que me recebeu em sua casa nas noites seguintes. A noite foi portanto multicultural: um português, uma polaca e um americano amigo dela, a comer comida polaca acompanhada por vinho grego!

Clique aqui para ver os outros dias desta viagem

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  • Pingback: Ancona, Itália: à espera do barco - Dobrar Fronteiras()

  • ROGERIO

    BOM DIA.

    NÃO HA QUE SE PREOCUPAR. A VIAGEM E BOA. O NAVIO E MUITO BOM. O CAFE E POR VOLTA DE 10 EUROS. A TRIPULAÇÃO NÃO É IGUAL A DE UM NAVIO DE CRUZEIRO.
    A GRÉCIA É MUITO BONITA. ATNEAS NEM SE FALA.

    BOA VIAGEM

  • Oi, se tem cabine, tudo bem ninguém a vai fazer dormir no chão. Só me queixo que a tripulação é um pouco mal educada, e nada atenciosa para com os passageiros.

  • danielle

    Nossa! gente vcs estao me assustando, vou fazer a mesma viagem, mas o meu esta incluido cabine mesno o cafe da manha, como será que é?

  • Rogério Diniz

    boa tarde.
    me chamo Rogerio Diniz.
    Fiz, no mes de Janeiro/09 viagem à Grécia – Porto de Igumenitsa, partindo do Porto de Ancona.
    A mesma impressão tive dos “tripulantes”. Todavia não fiquei na Sala de descanso.

    Muito legal a foto da escadaria. Essa eu não tirei.

    No mais, um abraço