Harare, capital do Zimbabwe

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Depois das minhas primeiras experiências em capitais africanas em Bissau, Dakar e Nouakchott em 2006 e da curta passagem pela quase capital Joanesburgo de onde apanhei o autocarro para o Zimbabwe, Harare era o reencontro com as agitadas, sujas, poeirentas e inseguras capitais africanas. Assim pensava eu, até lá chegar.

Morada do mal afamado ditador Robert Mugabe, Harare, aparte da naturalmente barulhenta e movimentada paragem dos autocarros e mini-bus, é uma cidade limpa, organizada, sem transito caótico e com bastantes espaços verdes.
Cheguei a Harare com o intuito de obter um visto para Moçambique e seguir de imediato viagem, mas fiquei com pena de não ficar um ou dois dias.

Ruas de Harare

Como estive pouco tempo, deu apenas para percorrer algumas ruas e parar um pouco a descansar no “Harare Gardens”, um enorme jardim bem no centro da cidade.
O centro financeiro está repleto de modernos arranha-céus e os bairros residenciais em redor são perfeitos para quem gosta de arquitectura passear. As ruas são largas, calmas e sempre com árvores a fazer sombra e encontram-se verdadeiras pérolas da arquitectura.

“Harare Gardens” – Jardim central de Harare

Onde dormir

A oferta de alojamento em Harare é principalmente das grandes cadeias de hotéis, sendo a oferta para mochileiros um pouco limitada.
Depois de uma pesquisa rápida acabei por ficar no “It’s a Small World Backpackers Lodge“, por ser o mais próximo do centro da cidade e da “Roadport”, de onde tinha autocarro no dia seguinte às 7h00.

O local é agradável, numa zona residencial muito calma. Tem um dormitório com camas a 12USD e quartos duplos por 35USD, sempre com casa de banho partilhada. Preparam refeições por encomenda.

Se preferir um hotel, a oferta existente é bastante boa e os preços não são tão desproporcionados como noutras cidades africanas: é possível encontrar quartos duplos em 4 estrelas a partir de 70€ por noite. Veja aqui: Hoteis em Harare.

Hostel em Harare – “It’s a small world”

Onde comer

Por toda a cidade há restaurantes do comida rápida, onde pode encontrar deliciosas pizzas, hamburgers e o mais tradicional “Chicken and Chips“.

Soube da existência de um restaurante que serve cozinha tradicional portuguesa e claro, fui até lá enquanto esperava pelo meu visto para Moçambique.

O “The Pointe” faz lembrar um típico restaurante na zona costeira de Portugal, com paredes brancas sobre as quais se anuncia em azul “Portuguese Cuisine”. Não sei se por ir com as expectativas demasiado altas, se por ter saído de Portugal à apenas 2 dias e as saudades não serem assim tantas, a experiência foi um pouco decepcionante com pratos um pouco adulterados…

Restaurante em Harare – “The Pointe”

Fotografias de Harare

É sabido que o regime do Zimbabwe não é propriamente favorável à presença de fotógrafos, sejam eles profissionais ou simples turistas de máquina em punho. É proibido fotografar tudo o que seja estratégico (ainda que não o pareça), como edifícios públicos, militares, bancos, estações rodoviárias e por aí fora.

Eu preferi não arriscar, daí que tenha poucas fotos da cidade: tirei algumas dentro do autocarro de vidros fumados em que cheguei, e no jardim, onde haviam mais fotógrafos.

Transportes

A zona central da cidade é pequena, mas por vezes poderá ser necessário recorrer a um táxi para cobrir distância maiores, ou com malas. O preço dos táxis é relativamente barato: ronda $1USD por quilómetro. Poucos (ou nenhuns) têm taxímetro, pelo que deverá ter uma ideia da distância que vai percorrer e acordar o preço antes de partir.

Por exemplo, do “Roadport Terminal” até à embaixada de Moçambique o rapaz que me levou pediu-me 10USD, mas acabei por negociar com ele para os 6USD, e mesmo assim foi acima do preço normal.

“Roadport Terminal” – Estação de autocarro/onibus em Harare

Como chegar

Eu estive em Harare por duas vezes nesta viagem. A primeira cheguei de autocarro vindo de Joanesburgo na África do Sul. Há vários autocarro por dia da companhia Intercape, que recomendo. O preço que paguei foram 450Rand.

A segunda vez cheguei vindo de Tete em Moçambique. Sei que certamente há autocarros directos, os que fazem a rota Harare – Blantyre (no Malawi), mas não soube como os apanhar. Por isso, fim a viagem por etapas: mini-bus de Tete para a fronteira, passagem da fronteira a pé e novo mini-bus para Harare. Saindo pelas 8h00 da manha num chapa junto ao mercado 1º de Maio, é possível chegar pelas 18h00 a Harare. A viagem custou-me:  120Meticais até à fronteira + 8USD da fronteira até Harare.

Leia mais sobre: Viajar de autocarro de Johanesburgo (África do Sul) para Harare (Zimbabwe)

Como sair

As linhas internacionais de autocarro partem do “Roadport Terminal”, no centro da cidade. Daqui é possível partir para a África do Sul, Moçambique, Zambia, Malawi e Tanzânia, directamente.

Eu, na primeira vez, queria ir para Tete em Moçambique e por isso apanhei um autocarro que faz a rota Harare – Blantyre, passando por Tete. Há poucos autocarros a fazer esta rota e saem por norma de manhã cedo, pelo que convém comprar o bilhete no dia anterior. Eu paguei 25USD e saí à 7h00 da manhã, chegando a Tete pelas 14h00.

Na segunda vez saí da cidade para sul em direcção a Masvingo (para o Grande Zimbabwe). Neste caso apanhei um táxi para Mbudzi, uma zona à saída da cidade na estrada que segue para sul em direcção a Beitbridge e Masvingo e onde param os autocarros e mesmo carros particulares com lugares livres. O preço do táxi é de 15USD e pela viagem até Masvingo de autocarro paguei 8USD. Esta pode ser uma alternativa mais económica e aventureira para quem quer viajar para a África do Sul.
Leia mais sobre: Viajar de autocarro de Harare (Zimbabwe) para Tete (Moçambique)

Mapa de Harare

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Olá! Eu sou o Samuel, autor do artigo que acabou de ler. Como você, também gosto de viajar e descobrir povos e lugares. Partilho neste blog as experiências vividas nos vários países por onde já andei. Pode saber mais sobre mim na página Sobre o autor. Espero que tenha gostado e, se tiver alguma coisa a acrescentar, deixe um comentário abaixo.

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