Dormir em Tóquio: do hotel cápsula ao Internet e Manga café

Dormir em Tóquio Japão

Não estranho camas. Durmo em qualquer uma, especialmente no final de um dia extenuante como os que passei em Tóquio durante a minha viagem no Japão. Para além da beleza, da agitação e das luzes, Tóquio tem para oferecer peculiares formas de alojamento que dificilmente encontraremos noutra parte do mundo. Venha descobrir estes locais bem diferentes para dormir em Tóquio.

Hotel cápsula

Uma viagem é feita de experiências e se há uma que não pode faltar no Japão é a de dormir num hotel cápsula. Desde que vi a primeira imagem deste tipo de hotel, que ele passou a fazer parte do meu imaginário.

Assim, logo para a primeira noite decidi reservar uma cápsula num destes hotéis. A escolha foi para o Tokyo Nihonbashi BAY, por ficar relativamente próximo da estação central, onde eu teria de apanhar o comboio no outro dia de madrugada.

Tokyo Nihonbashi BAY, Hotel cápsula em Tóquio, Japão
Tokyo Nihonbashi BAY, Hotel cápsula em Tóquio, Japão

A minha noite no hotel cápsula

Como tinha chegado de uma viagem de avião de quase 13 horas nessa manhã, já um pouco cansado com o Jetlag, fui o primeiro hóspede a chegar, por volta da 20h00.

Tudo isto era novidade para mim mas, tal como na generalidade dos hotéis no Japão, também aqui os sapatos ficam à entrada, num cacifo. As raparigas da recepção falam pouco inglês e por vezes têm de recorrer a uma cábula. O pagamento é feito numa máquina que mais parece um multibanco. É interessante constatar que aqui há pouco contacto com o dinheiro. Em muitos estabelecimentos, sejam hotéis ou restaurantes, o pagamento é feito numa maquina que depois nos dá um talão como prova.

Com uma pulseira electrónica que me é dada no checkin consigo abrir as portas até à minha cápsula e até aos balneários. No meu cacifo encontro um saco com o pijama, chinelos e as várias amenidades, dignas de um hotel 4 estrelas.

Hotel cápsula em Tóquio, Japão
Hotel cápsula em Tóquio, Japão

O quarto tem umas 60 camas. Ainda assim, mesmo estando eu a dormir quando chegam os restantes hóspedes, quase não dou por eles. Tirando esta vantagem de ser muito mais sossegado, pouca diferença há para um hostel.

A experiência não tem afinal nada de claustrofóbico: a cápsula é fechada apenas com uma cortina. No interior, bastante espaçoso, mesmo com o meu metro e oitenta dá para me sentar.  Há botões para regular a intensidade da luz, a ventilação e o despertador. Para carregar baterias há tomadas eléctricas de 100V e USB.

Clique aqui para mais informações sobre este e outros hotéis em Tóquio.

 

Internet / Manga café

Ao longo das minhas viagens já não têm conta os locais estranhos onde dormi. Desde o relento sob o céu estrelado, ao alpendre de uma igreja, passando pelo chão de barcos, estações de comboios e aeroportos.  No Líbano dormi numa pequena capela na companhia de uma múmia, em Londres, num banco de jardim. A experiência das noites mal dormidas enriqueceu-me, ao mesmo tempo que me permitiu viajar com muito pouco dinheiro.

Há uns tempos tropecei num artigo que falava sobre os cyber-homeless de Tóquio, o que me pareceu ser uma experiência a ter numa futura viagem ao Japão. São inúmeros os cyber cafés (onde se acede à internet) e os manga cafés (onde se lê a banda desenhada japonesa) que existem pela cidade. A maioria das vezes os estabelecimentos oferecem os dois serviços.

Não sei se devido à decadência destes com a proliferação das redes móveis ou se simplesmente pela necessidade, nos últimos anos estes espaços têm vindo a ser utilizados como morada para muitos habitantes de Tóquio. Estima-se que mais de 5000, entre desempregados e trabalhadores precários cujo salário não chega para pagar a renda de uma casa.

Muitos livros de manga e os duches
Muitos livros de manga e os duches

Estes locais têm-se vindo a adaptar cada vez mais a esta realidade e têm balneários, cacifos, máquinas para tirar comida e preparar noodles. Em muitas das “cabinas” as cadeiras já foram substituídas por colchões. Nas paredes há publicidade para “alojamentos” um pouco mais espaçosos, alugados ao mês,  por mais alguns Yenes. Esta parece-me que é também uma forma subtil de contornar a legalidade para oferecer alojamento barato.

Eu fiquei no Manboo na zona de Shinjuku, um dos muitos que há por ali, assim como em Shibuya. Ainda que esteja tudo em japonês, os estabelecimentos são fáceis de identificar: procure por painéis com preços para 2, 4, 8, 12 ou 24h, com um símbolo de chuveiro e estará no sítio certo. Vi um que anunciava mesmo em inglês: “pode dormir aqui”. Normalmente ficam em caves. No primeiro em que entrei, recuei quando vi uma placa “sorry, we are closed“, no segundo, tentei subir ao 7.º piso, mas o elevador não ia até lá e não havia escadas. Por fim, à terceira, lá encontrei.

Corredor de acesso às cabinas do Manga Café
Corredor de acesso às cabinas do Manga Café

Os rapazes da recepção não falavam nada de inglês e tiveram de recorrer ao comum caderno com as frases traduzidas. Infelizmente, quando cheguei, eram umas 22h00, as cabinas com colchão já estavam todas ocupadas. Atrás de mim chegaram alguns japoneses, na casa dos 40 anos, que eram claramente trabalhadores que vinham ali passar a noite.

Após um duche fui até à minha cabina e tento dormir. Depois de uma noite passada no autocarro nocturno de Quioto para Tóquio, dormir novamente numa cadeira não era o ideal, mas uma oportunidade a não perder na última noite no Japão. Pelo menos para mim.

A cadeira é confortável, há um apoio para os pés, as luzes estão apagadas, mas a horas custam a passar. É duro.

A minha cabina no Manga café em Tóquio
A minha cabina no Manga café em Tóquio

As 8 horas, que não aproveitei totalmente, ficaram por 1600 Yen, cerca de 15€. Por 30€ poderia ter ficado numa cápsula, com uma comodidade e condições incomparavelmente melhores. Esta é uma solução para quem viaja mesmo com um orçamento muito limitado, ou quer viver uma experiência diferente.

Não estranho camas. Durmo em qualquer uma, mas a verdade é que não há nada como voltar à minha.

Mapa dormir em Tóquio

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