29-08-2009 Gorges du Verdon
As formigas descobriram antes que eu me lembrasse que também haviam tâmaras na mochila, e já só sobra metade para o pequeno almoço. Esta não foi das noites mais bem dormidas. A falta do banho começa a sentir-se, mas a beleza da paisagem que me rodeia, com montanhas e balões de ar quente ao amanhecer dão-me a energia necessária para começar bem o dia. Desço a colina até à estrada e o 3º carro, o descapotável dum ciclista pára. Vai precisamente para os lados das Gorges du Verdon, e deixa-me mesmo junto a um hipermercado, onde posso comprar a comida para este dia antes de continuar. Um casal de turistas belgas, que adora Portugal e caipirinhas leva-me até Geoux-les-Bains, uma cidade termal onde neste Sábado de manhã decorre uma feira de antiguidades. A paisagem desta zona é lindíssima: verde, no meio das montanhas com algumas aldeia perdidas aqui e ali. Apanho mais 3 boleias: primeiro um rapaz, depois outro, jardineiro, que ouve bom rock na carrinha e por fim, um casal de velhotes mesmo velhos que me levam até à aldeia seguinte.
Estou já próximo, e por sorte, em 5 minutos consigo boleia com um rapaz que vai precisamente fazer caiaque para as Gorges du Verdon. É super prestável, fala inglês e ajuda -me a escolher num mapa que trás a minha rota para este dia. Decido ir com ele até à lagoa onde se inicia o desfiladeiro. É um local paradisíaco, de águas azul turquesa, daquelas de fazer inveja a quem agora vê as fotos. Fico um bocado por lá, tomo uns quantos banhos e como antes de partir serra acima por um caminho pedonal, subida essa dura, devido ao calor que se faz sentir. Uma vez lá em cima decido caminhar pela berma da estrada em vez de ir à boleia. Ainda é cedo e a estrada é sempre a direito, sem subidas entenda-se, porque curvas há muitas. A cada curva revela-se uma vista estrondosa sobre o vale que eu não tenho problemas em contemplar calmamente já que posso parar sempre que quero, ao contrário dos carros que estão limitados devido à largura da estrada.
Ao virar uma dessas curvas dou de caras com uma cascata um pouco acima da estrada. Um casal de motards pára também e subimos até lá. Com o apróximar de Itália há imensos motociclistas italianos por aqui. A água cai suavemente como chuva para refrescar o calor que está. Sigo a pé por mais alguns metros até que a estrada começa a subir e a paisagem fica repetitiva. É portanto altura de apanhar boleia. Passam alguns turistas sem parar, até que por fim consigo que um senhor de idade, local que me leva ate uma aldeia no cimo da serra. Há pouco movimento aqui, e para além disso, devido à largura da estrada, o transito corre alternado por dentro da aldeia, o que dá para descansar cada vez que o sinal está vermelho e não vêm carros. No entanto uns 15 minutos foi quanto chegou para um casal de turista parar e me levar até ao miradouro do “Point Sublime”, um dos mais belos locais do desfiladeiro.
A paisagem, como o próprio nome indica é sublime! Avisto lá em baixo o rio, que me parece bem interessante para tomar mais uma banhoca, e descubro que uma G.R. vaia para lá. Decido descer. O desfiladeiro ainda é mais sublime visto cá de baixo, mas a água vista agora de mais perto parece bastante fria, já que aqui se está à sombra . Fico com pena de não ter mais algum tempo por aqui para percorrer o caminho pedestre que corre o vale. Ainda penetro um pouco nos túneis que permitem a passagem aos caminhantes nestas zonas mais estreitas do vale, mas sem lanterna não vou longe. Estar dentro dum túnel desta dimensão, sem lanterna, sem ver luz ao fundo do túnel nem tocar nas paredes é uma sensação do outro mundo. Sinto-me no espaço.
Volto atrás para ir então ao banho. Só penso duas vezes antes de entrar na água fria. A beleza do local faz-me esquecer o frio. Não posso desperdiçar a oportunidade de me banhar no paraíso uma última vez hoje.
Saio rapidamente, visto-me e subo para a estrada. Apanho boleia com uma família italiana numa pequena carrinha Piaggio Porter. Dá-me vontade de rir com a pronuncia dos italianos, especialmente da filha mais nova. Depois de alguns quilómetros avisto um capela no topo de uma sublime parede de rocha. Está decidido. Vai ser ali que vou passar a noite. Nem é preciso pedir para eles pararem. Logo chegamos a Castellane, destino de viagem de ambos. São já umas 6:30. Compro jantar, dou uma volta à vila e subo. Chego ao topo já com o sol posto por detrás das montanhas. Ao lado da igreja, como que à minha espera está um útil alpendre com duas cadeiras e uma mesa. Só falta a companhia para o jantar.
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By João Leitão, 25/10/2009 @ 12:54 am
hey! que espetáculo estes gorges! muito bom. adorei a cor da água. abraço