27-08-2009 Arles, Les Baux, St. Remy, Cavaillon
Saio para visitar os monumentos romanos de Arles. São baratos: para um estudante, 4,5€ é quanto custa o bilhete conjunto para o teatro e a arena. São umas 9 da manhã e ainda não há turistas pelas ruas nem nos monumentos. O teatro é apenas mais um, muito mal conservado e bem aproveitado para a realização de espectáculos ainda hoje. Estou ansioso por entrar na arena que fica ali mesmo ao lado. Pelas fotos que vi, parece estar em óptimo estado de conservação. Entro à frente dum grupo de turistas asiáticos para ter a maior desilusão destas visitas a monumentos património da humanidade. Depois de ser palco de lutas de gladiadores e fortaleza árabe, é agora uma praça de touros optimizada para dar lucro máximo: no lugar das bancas que entretanto ruíram, foi colocada uma estrutura metálica ao jeito das nossas praças de touros temporárias. Não é que eu seja contra as touradas, custa-me é ver assim o nosso património entregue à bicharada.
Nuns folhetos que recolhi no posto de turismo vi um monumento aqui próximo que me atraiu, até porque fica a caminho de outros locais bem interessantes da Provence. São as ruínas da abadia de Montmajour, que ficam logo à saída da cidade a caminho de Les Baux de Provence. Está um dia bonito o chão é plano e eu decido caminhar. Ao aproximar-me das ruínas da abadia volto a encontrar marcas do caminho de Santiago. Desta vez vou em sentido contrário, mas aproveito o trilho pelo meio dos arrozais para atalhar. É óbvio que o caminho vai passar junto à abadia. O caminho de Santiago passa sempre nos locais religiosos. (Ou serão os locais religiosos que são construídos no caminho de Santiago?).
A entrada é grátis para estudantes, que assim podem visitar à borla este monumento. Em pé apenas pouco mais se encontra que a igreja do século XI e o claustro. Há ainda uma enorme torre construída no tempo da guerra dos 100 anos e do cimo da qual se tem uma privilegiada vista sobre a região. Lá dentro, naquilo que antes era local de oração, encontro uma exposição de arte que certamente chocará muitos visitantes: quadros a jeito de montagem photoshop misturam pinturas religiosas com cenas eróticas e touradas. Acho interessante, mas sinceramente preferia ver estes quadros num museu. Pouco mais há a recordar desta abadia. Faço cá fora uma pequena pausa para organizar os meus papeis, pois guardo sempre todos os bilhetes e papeis de informação turística que recolho durante as viagens.
Apanhei ali rapidamente boleia dum senhor que falava fluentemente o inglês e me levou até Fontvieille, uma vila a poucos quilómetro, que segundo ele me explicou é bastante famosa em França devido a um livro dum autor famoso que fala sobre ela e que é de leitura obrigatória na escola. Depois disto nem 5 minutos esperei pela boleia que me levou até ao cruzamento para Les-Baux. Decido percorrer os 4km que faltam até lá caminhando, no meio duma paisagem que faz sem dúvida lembrar os quadros de Van Gogh. Oliveiras e ciprestes dominam os campos, com o fantástico céu azul e fofas nuvens brancas. E sente-se, aqui sim, longe dos ares das cidades o cheiro a Provence: ervas aromáticas, pinheiros, cedros, flores. Uma combinação perfeita, que ajuda a esquecer o imenso calor que se faz sentir.
Chego a Les Baux quando já começa a ter pouca piada caminhar. Enquanto almoço as minhas sardinhas enlatadas à entrada, um turista que me terá visto no caminho pergunta-me se estou a fazer o caminho de S. Jaques, e se é bom caminhar com tanto calor. Não é bom, mas aqui é compensador, e S. Jaques terá de esperar, pois desta vez, infelizmente, não há tempo para caminhar até à Galiza. A aldeia é engraçada, apesar de estar muito em ruínas, e por todo o lado há turistas que procuram restaurantes com bom vinho e boa comida. Das montras bem decoradas das lojas sai o bom cheiro a lavanda. Não visito o castelo. Para uma construção que está em ruínas é demasiado caro.
Daqui quero seguir para St. Remy de Provence que fica perto. Enquanto caminho para a estrada passo por um casal de velhotes caravanistas portugueses, e um pouco mais abaixo apanho rapidamente boleia num carro de turistas franceses, já velhotes, mas muito simpáticos. Pela primeira vez, não vou sozinho no banco de trás. Deixam-me no centro da cidade e vou logo ao posto de turismo buscar um mapa e saber o que visitar. A cidade não é nada de especial, mas ainda assim merece que se dispense umas 2 horas para a conhecer. Fico a saber que aqui nasceu o famoso astrólogo Nostrudamos e houve um hospital de St. Jaques do qual hoje só restam as ruínas da porta. No único local onde há acesso à internet cobram-me 2€ por 15 minutos, para descobrir que não consegui alojamento pelo couchsurf em nenhum local nos arredores. Portanto irei tentar avançar o máximo em direcção a Gordes nas horas que me restam, e depois dormir num local que encontre apropriado. Apanho a ultima boleia do dia com um jovem africano num carro tunning e chego já ao fim do dia a Cavaillon. Uma das primeiras coisas que aí descubro é que também aqui passa o caminho de Santiago, e o caminho de Roma. Topo logo um local no cimo da colina ao lado, onde há uma capela, que imagino ter um alpendre para o caso de chover. Depois de fazer umas compras para o jantar, vou à net, num dos muitos cyber cafés de árabes que há pela europa, e onde se encontram os melhores preços.
Já a anoitecer subo a colina, janto e acabo por esticar o saco cama a meio da encosta, já que a capela tem um muro à volta que prefiro não saltar e no tempo, embora pareça de chuva tenho esperança que esta não virá esta noite.
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Veja também estas páginas:
- 26-08-2009 Avignon, Pont du Gard, Arles
- Fotografias de Cavaillon, França; Agosto 2009
- Fotografias de Saint-Rémy-de-Provence, França; Agosto 2009
- Fotografias da Abadia de Montmajour, Arles, Provence, França; Agosto 2009
- Fotografias de Arles, Provence, França; Teatro e Arena Romana; Agosto 2009
- Fotografias de Les Baux-de-Provence, Provence, França; Agosto 2009
- Mapa de Les-Baux-de-Provence, França









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