O segundo dia em Luxor foi dedicado à margem esquerda do Nilo, onde se encontram os famoso Vale dos Reis, entre outras maravilhas dos faraós. A minha ideia inicial era alugar uma bicicleta, passar o rio de barco e ir andar por aquela margem o dia todo a visitar os locais arqueológicos. No entanto, levado pelo resto do grupo acabei por alinhar num tour, com mais pessoal que estava no hotel, entre eles, uma rapariga Japonesa que já andava a viajar à uma ano. Este tour era acompanhado por um guia local que fazia pouco mais que mostras postais. Sinceramente não gostei, mas serviu para compreender como os turistas vêm o Egipto e serviu de lição para não ir na conversa dos outros. É que nisto das viagens sou mesmo muito esquisito. :)

Vale dos Reis, luxor, Egipto

Começámos então pelo Vale dos Reis. À entrada uma maqueta semitransparente mostra a complexidade das câmaras espalhadas pela montanha. O bilhete de entrada dá direito a visitar 4 túmulos. Apanhámos um ridículo minicomboio para fazer 100metros de percurso, desde a bilheteira até à zona dos túmulos. Detesto estes comodismos. Não é por o preço, que é pouco mais que simbólico, é pela desvalorização do ser humano. Será que custa assim tanto caminhar 100 metros, ainda que estejam uns 50º? Não fosse a grandiosidade do local e a maravilha que são as pinturas nas paredes dos corredores que dão acesso às câmaras funerárias, e tinha ficado muito desiludido com este dia. Depois de visitarmos o primeiro, foi a vez do guia. Disse que só íamos visitar 3 porque o outro que estava aberto de interesse ficava muito longe. Fiz logo barulho. Se paguei ia visitar! E fomos todos. Lá dentro o ar era verdadeiramente irrespirável, com altíssimas temperaturas e alto teor de humidade. Não se aguentava mais do que uns breves minutos. Por descuido, nem me lembrei que era proibido tirar fotos e acabei por disparar umas com flash. Apareceu logo o guarda que me obrigou a apaga-las. É claro que eu fiz que apaguei, e ele deu-se por satisfeito.

Opcionalmente era possível visitar o túmulo de  Tutancamon, cujo espólio (que inclui a mascara de ouro se encontra no museu do Cairo). Não visitei, porque basicamente são todos iguais, e acho que não compensava pagar o preço absurdo pedido à entrada. Lá dentro iria ver mais  câmaras e corredores de paredes decoradas com hieróglifos e divindades, e o tecto pintado de azul com estrelas. O conteúdo destes está espalhado por vários museus de todo o mundo.

Templo de Hatshepsut, Luxor, Egipto

Depois do Vale dos Reis, seguimos em direcção ao templo de Deir el-Bahri. Pelo caminho fizemos uma paragem forçada num vendedor de peças de alabastro. Imagino a cara deles depois de nos irmos embora: ofereceram-nos chá, um colar de missangas, fizeram demonstrações da sua arte mas no fim, ninguém comprou nada.

Uma vez neste templo, queriam outra vez meter-me no comboio mas eu recusei. Aqui eram só 50 metros. :) O edifício foi quase por completo restaurado, incluindo as estátuas da rainha Hatshepsut (que o mandou construir) e que depois foram desfeitas devido a um problema amoroso desta com o arquitecto.

Ali bem perto, fomos até ao Vale das Rainhas, assim designado por aí se encontrarem os túmulos de algumas rainhas, entre as quais Nefretari. Os túmulos são um pouco mais modestos, nomeadamente nas dimensões, mas igualmente belos. Reina um ambiente muito mais descontraído, com poucos turistas, e sem guardas lá dentro, podendo-se portanto tirar fotografias. Quando se é apanhado, eles pedem umas piastras, que se podem sempre recusar.

Vale das Rainhas, Luxor, Egipto

Estava assim quase concluído esta visita ao lado ocidental do Nilo. De regresso a Luxor parámos nos colossais Colossos de Memnon, duas gigantescas estátuas de pedra, que outrora serviam de guarda ao túmulo de Amenófis III. Realmente impressionantes. Para terminar bem (ou não), faltava ainda mais uma tentativa de negócio, mais uma vez falhada, desta vez numa casa de papiros. Tivemos direito a uma demonstração do processo de fabrico dos papiros, que novamente deu prejuízo à casa pois ninguém comprou nada. Nestas casas eles tentam vender o produto como sendo fabricado pelos métodos tradicionais, a partir de planta de papiro verdadeira e não outras. O problema é que o preço é altíssimo quando comparado com outros que se encontram cá por fora nos mercados. O grupo era todo formado por jovens que não tinham dinheiro para os exorbitantes preços pedidos. Ainda assim, e é de louvar, nunca mostraram a mínima arrogância ou mau feitio por ninguém comprar nada. Enquanto estiveram connosco mantiveram sempre um sorriso. De louvar!

A seguir a um almoço já tardio em Luxor, foi chegada a hora de me despedir dos meus companheiros destes dias no Egipto, que partiam Às 4 da tarde no autocarro para Dahab, na uma estância balnear do Mar Vermelho na Península do Sinai. Eu fiquei o resto do dia pela cidade, visitando os mercados. Acabei por comprar uma shisha, que mesmo depois de muito negociada, verifiquei depois que tinha pago um preço altíssimo, ainda assim barato para os padrões europeus.

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26-08-2008 Luxor . Dobrar Fronteiras
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