Acordo com os pássaros ao nascer dum Sol que se eleva no horizonte sobre o monte Ventoux. Ainda não são 7 da manhã, e por isso decido que não vou visitar o Teatro Romano. Na verdade mesmo que não tivesse de esperar duas horas, parece-me de fora que não valia os 5 ou 6 euros da entrada, ainda que os guias do planeta solitário digam que é o mais bem conservado da Europa. Se assim o é, a Europa deve envergonhar-se do modo como tratou os monumentos romanos. Qualquer um dos que vi na Jordânia está melhor que este. Na verdade, parece-me que pouco sobra do original neste monumento. Foi reconstruido para receber espectáculos. Pelo meio do mato da colina lá descubro uns caminhos que me permitem uma vista plena sobre ele.
Findo isto, caminho para a estrada e estico o dedo. Ainda não são 9h, há um movimento infernal de carros em direcção a Avignon (único destino da estrada) e tenho uma placa. Ninguém pára. Nem um sorriso, nem uma desculpa. Parece que todos acordaram com os pés de fora ou que sabem que eu dormi na rua e que a minha higiene matinal com toalhetes deixa muito a desejar. Só às 10:50 consigo que uma carrinha pare. É um rapaz ainda novo, que pelas maneiras me parece ser de origem árabe, e me leva até à saída para Avignon. Ele segue para Marseille, eu faço o resto a pé.
Gosto da cidade, assim que chego. Só é pena não estar um bocadinho mais fresco. Depois de deambular um pouco pelas ruas, lá chego ao Palácio dos Papas. A entrada, mesmo para estudantes custa 8,5€ e não 3 como eu pensava. Começo a fazer contas à vida, pois quando saí de Ardèche já so tinha 150€. Ainda assim visito. É património UNESCO, mas mais uma vez fico desiludido com ele. Até os 3€ seria pedir muito para visitar um castelo de salas vazias. É que nem uns vitrais coloridos nas janelas das capelas há. Até a igreja que fica ao lado está melhor decorada e é gratuita.
A temperatura convida a um banho, mas o rio parece demasiado poluído para isso. Passo a ponte até meio, onde fica a ilha , um dos melhores locais para observar a cidade e deito-me na relva para comer, dormir a sesta e actualizar o diário. É aí que tenho a grande alegria do dia. Nesta viagem decidi trazer o dinheiro todo comigo, e por isso dividido por vários locais. Acontece que quando o contei a ultima vez esqueci-me que também estava algum no diário! Agora já com as contas a bater certo adormeço para a sesta.
Fico por lá um bom bocado antes de ir de novo para a cidade até à Internet. Às 5:30 estou junto à estação de comboio onde combinei de me encontrar com a couchsurfer que me vai receber, e que vive nos arredores da cidade. Do 8º andar do seu apartamento avistam-se as nuvens do fim do dia que se aproximam e trazem uns tão desejados pingos de chuva para refrescar. Hoje acho-lhe muita piada. Afinal tenho um tecto por cima de mim.
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