24-08-2009 Joyeuse, Pont d’Arc, Orange
De novo na estrada. Acordo já recuperado do mau dia de ontem e cheio de energia para continuar. Ainda não são 9 da manhã quando a Sílvia me deixa em Joyeuse, uma aldeia muito ao estilo medieval na base das montanhas. Depois de consultar a Internet tenho uma boa noticia: uma resposta positiva duma couchsurfer em Avignon, daqui a dois dias. Portanto esta noite será ao relento.
Esta manhã quero chegar à Pont d’arc, um enorme arco natural de rocha escavado pela força das águas que hoje lhe passam por baixo. Espero entre 5 a 10 minutos por cada uma das 3 boleias que apanho até Vallon Pont d’Arc, onde chego ao som de Manu Chao com um casal de jovens. A vila, já bem ao estilo “provençale” está repleta de turistas e stands de aluguer de canoas, que já fazem antever o colorido espectáculo que vai pelo rio abaixo. Faço os restantes quilómetros a pé para testemunhar isso mesmo. O rio parece a segunda circular em hora de ponta. É colorido, mas demais. Aproveito para me refrescar nas águas do rio, com o devido cuidado para não ser “atropelado” por alguma canoa e para comer. Depois subo até à estrada, onde consigo fazer umas belas fotos do local.
Hoje estou a pedir boleia sem placas a dizer o destino. Desde que iniciei esta “segunda parte” da viagem que me sinto mais livre, e a ausência de placas com o destino é reflexo disso mesmo. Vou onde o destino me levar. Chegado ao local mais estratégico possível depois duma caminhada, estico o dedo e espero. Não muito, pois em pouco tempo parou um carro com um homem e o seu filho. São turistas, não sabem onde é Orange, mas vão na direcção certa. A paisagem é soberba. O rio de Ardèche escavou um escarpado pelos últimos 20km antes de entrar verdadeiramente na Provence. Deixam-me num ponto de miradouro mesmo à saída do vale. Consigo boleia para os restantes quilómetros numa das centenas de carrinhas que fazem o transporte das canoas de lá de baixo para Vallon Pont d’Arc.
Deixa-me junto à praia onde recolhe as canoas, mas acabo por não ir ao banho aqui. Dou uma visita à localidade e caminho até à rotunda à saída onde consigo boleia por 3km duma simpática velhota. Assim que saio pára de imediato outro carro. Pela primeira vez julgo estar perante um emigrante tuga. Mas não. o senhor fala português porque é casado com um brasileira. Diz que está farto de França, tem um filho, e esta para emigrar brevemente para o Brasil. Deixa-me na borda da estrada principal de acesso a Orange, mas é difícil apanhar boleia. Espero quase meia hora até parar um carro. Pela primeira vez nesta viagem tenho algum medo da boleia. É um jovem pedreiro com os seu 35 anos. Tudo bem até aqui. Já tive mais com este perfil. O que me preocupa é que quando vamos a chegar à cidade ele entra para a autoestrada. Diz que é para contornar o transito da cidade, mas eu continuo um bocadito receoso. Por fim lá saímos e ele até faz um quilómetro para trás para me deixar mais próximo do centro. Afinal não havia qualquer motivo de preocupação. Fico favoravelmente junto aos hipermercados do arredor da cidade e aproveito para me abastecer para o jantar.
Com isto tudo, chego ao centro da cidade já ao fim do dia. Salto de imediato para um bar onde há Internet na esperança de ter recebido alguma mensagem de ultima hora de alguém que me receba aqui esta noite. Mas não. Terei mesmo de procurar um chão para dormir. O teatro romano, Património da Humanidade já está fechado. E o arco do triunfo romano está todo forrado a andaimes para obras de restauro. Ali ao lado fica a “gare routier”, nome que me transporta de imediato para a África francófona, e para a possibilidade e aí encontrar uma casa de banho decente. A que encontro até cheira mal só de lembrar. Nem em África nunca vi nenhuma “toilette” tão porca. A solução é meter uma moedinha numa outra daquelas automáticas.
Subo até à colina sobre o anfiteatro. Janto num banco de jardim com vista para a cidade que já está iluminada. O céu ameaça chuva, e por isso decido procurar um local onde me possa abrigar no caso dela vir. Depois de várias hipóteses encontro a perfeita: um toldo num local onde fazem concertos de jardim. Reparo que há câmaras de vigilância, e preparo-me para ser posto fora dentro de alguns minutos. Mas não. O único incomodo que tenho são os mosquitos e o calor. Passado uma hora vem o carro da policia. Está só a fazer a rotineira ronda e não me vê. Está mais fresco agora, e os mosquitos já dormem.
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Veja também estas páginas:
- Fotografias de Joyeuse, França; Agosto 2009
- 25-08-2009 Orange, Avignon
- 26-08-2009 Avignon, Pont du Gard, Arles
- Fotografias de Orange, França; Teatro Romano e Arco do Triunfo; Agosto 2009
- Fotografias de Vallon-Pont-d’Arc e Saint-Martin-d’Ardèche; Agosto 2009
- Fotografias da Pont du Gard, Aqueduto Romano na França, Património UNESCO; Agosto 2009
- Mapa de Orange, França








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