
23-07-2008 Roma
Ir a Roma e não ver o Papa, é como … ir a Roma e não ver o Papa. Mas foi isso que me aconteceu na minha primeira visita à cidade: o Papa andava pela Austrália por ocasião da 23ª Jornada Mundial da Juventude. O meu segundo dia em Roma foi portanto dedicado ao Vaticano.
A ténue linha de fronteira que separa o Estado do Vaticano da República Italiana está entre as mais fáceis de transpor no mundo. Livremente qualquer um, cristão ou idolatra, entra-se naquela que já foi a capital do mundo.
Segurança só a entrada da basílica e do museu. Para além das armas que não passam pelo controlo de raios-x, são também barradas as senhoras que queira entrar com os ombros descobertos, decotes bombásticos ou saias demasiado curtas, pois seria um atentado à santidade do lugar.
Valia por si só uma ida ao Vaticano, mas por estar lá, no meio duma das maiores (se não a maior) colecção de arte do mundo, “La Pietá” de Miguel Ângelo é pouco mais do que “mais uma” escultura. Para mim é sem duvida a mais bela obra de arte que vi até hoje.
Não sei o que recomende, se entrar na basílica pela porta principal e ser longo confrontado com tamanha beleza, se fazer o caminho pelos subterrâneos onde se encontram os túmulos papais, entre os quais o de S. Pedro, para depois, como que a ascender da morte entrar gloriosamente no centro da basílica por de baixo do altar mor.
Imagine que para ir de Portalegre a Castelo Branco, tinha de dar a volta por Espanha. É o que acontece com o Vaticano. Para ir da praça de S. Pedro para o museu do Vaticano, tem de sair e contornar as muralha até à entrada.
Visitar o Museu do Vaticano sem guia é uma prova de fogo aos níveis de ansiedade. A qualquer momento podemos cruzar uma porta e deparar com a Capela Sisitna. Enquanto isso não acontece, deambula-se por divinas salas onde as peças estão distribuídas por temas. Deixo alguns exemplos:
Foi com muito gosto e algum espanto que verifiquei uma certa abertura pelo Vaticano ao exibir lado a lado numa sala dedicada à ciência e astronomia, as esferas armilares que representam os modelos heliocêntrico ou geocêntrico, que literalmente, fizeram rolar algumas cabeças, e são ainda hoje motivo de indignação para muitos.
Depois de 3 horas a percorrer estas galerias é chegado o ponto alto da visita: a Capela Sistina. A julgar pela quantidade de pessoas que se concentra naquele espaço, creio que a igreja não estaria com falta de participantes na missa se Miguel Ângelo tivesse dado um ar da sua graça em cada capela do mundo. É proibido fotografar lá dentro, assim como sentar no chão ou nas escadas do altar. Não há problema, pelo menos para mim. Costumo respeitar quando não se podem tirar fotografias, e aqui, sem duvida que não são necessárias. Tal como “La Pietá”, também aqui nunca nenhuma fotografia ia captar a plenitude de estar ali mesmo debaixo do tecto mais belo do mundo (a seguir ao céu estrelado do deserto!).
Outra obra que me marcou foi a “Transfiguração” de Rafael. Mais que a Capela Sisitna, aqui é criado um ambiente verdadeiramente propicio à contemplação da beleza da pintura. Uma enorme sala escura, com as paredes cobertas de tapeçarias, e ao centro 3 obras deste génio, discretamente iluminadas. Mais uma que vale por si só uma ida ao Vaticano:
Cinco horas depois de la ter entrado desci a escada em dupla espiral cónica que nos trás de volta o mundo real.
Já tinha visto o que mais me interessava em Roma. O resto do dia foi passado portanto a deambular pela cidade, e alguns cantos mais afastados do centro.
Pelo caminho, encontrei uma praça, que nem vem nos mapas, mas que depois de um dia a caminhar por Roma, foi eleito por mim o melhor lugar da cidade:
Tem duas grandes fontes em forma de banheira, óptimas para refrescar os pés. Não fui o único a ter essa ideia. Ainda por lá apareceu um policia a dizer que aquilo não era sitio para tomar banho. Todos tiraram os pés até ele virar costas.
Isto é o que resta do Circo Máximo de Roma. Serve hoje para umas corridas a pé
A Basílica de S. Paulo fica um pouco afastada do centro da cidade, numa zona muito calma, com poucos turistas, e é quase tão grandiosa como a de S. Pedro. Tal como já me tinha acontecido em S. João de Latrão, acabei por entrar pela porta lateral, julgando estar na principal. Só lá dentro dei por o erro fatal de quem está habituado a basilicas mais modestas.
Terminei o dia, já de rastos, na ultima estação de metro, na E.U.R., Exposição Universal de Roma. É uma zona limítrofe da cidade, construída à semelhança do nosso Parque das Nações para a exposição Universal de Roma, em 1942. Alberga hoje grandes empresas, e museus, que aquela hora ja estavam fechados.
Ao regressar ao hostel foi surpreendido com 4 raparigas brasileiras que tinham acabado de chegar a Roma depois de algumas aventuras por Veneza. Óptima oportunidade para praticar o português, língua que previa vir a falar pouco nas seis semanas seguintes.
Clique aqui para ver os outros dias desta viagem
Veja também estas páginas:
- 24-07-2008 Roma > Loreto > Ancona
- 22-07-2008 Roma
- Fotografias de Roma, Itália; Metro, Aeroporto, E.U.R.; Agosto 2008
- Fotografias da viagem de comboio Roma a Ancona, Itália; Julho 2008
- Fotografias de Roma, Itália; Ruinas, Coluna de Trajano, Coliseu, Panteão, Circo Maximo; Agosto 2008
- Fotografias de Roma, Itália; Via Appia, S. João Latrão, Fonte de Trevi, Basilica de S. Paulo; Agosto 2008
- Dormir no Aeroporto de Fiumicino (FCO), Roma, Itália























Egipto
Gâmbia
Guiné-Bissau
Marrocos
Mauritânia
Senegal
Alemanha
Andorra
Bulgária
Chipre
Espanha
França
Grécia
Mónaco
Portugal
Reino Unido
Roménia
Emirados Árabes Unidos
Israel
Jordânia
Líbano
Palestina
Síria
Turquia
Blog
Diários de Viagem
Generalidades
Guia Caminho Santiago



June 28th, 2009 at 1:11 am
Paga pra entrar no museo do vaticano
June 28th, 2009 at 10:33 am
Sim, paga 8€ preço estudante, e 12€ preço normal.
April 29th, 2010 at 10:44 am
[...] ruínas da cidade romana de Hierápolis estendem-se por vários quilómetros em redor, com teatros, fóruns e especialmente [...]
May 1st, 2010 at 11:32 pm
[...] Montpellier, onde já contactei com a Fernanda, uma amiga brasileira que conheci o ano passado em Roma. 35€ o bilhete. Nem quero imaginar quanto me teria custado esta viagem se não tivesse andado à [...]