Planalto de Gizé, Cairo, EgiptoFicamos instalados no Lialy Hotel, na praça Talaat Harb, bem no centro do Cairo, a 5 minutos a pé do Museu Egípcio.Acordamos, tomamos o pequeno almoço e partimos com destino ao planalto de Gize.  Tentámos ir de autocarro junto ao museu do Egípcio,  mas não fomos bem sucedidos na interpretação dos números árabes e deixa-mo-lo passar. Decidimos então ir de táxi, e para nosso espanto o segundo taxista que parou propôs logo levar-nos por 20EL tal como dizia no Lonely Planet. A manhã foi passada no planalto de Gize onde podemos tirar muitas fotos e andar a camelo e cavalo. Por vontade do resto do grupo, acabei por ceder e alinhar numa volta a camelo e cavalo, animais que nunca tinha montado. Uma experiência nova e compensadora, embora demasiado turística para mim. Só fiquei com pena de não ter vivido  noutro século, antes da chegada dos turistas,  quando era possível subir ao topo das pirâmides.

No fim do nosso passeio a camelo e cavalo (metade em cada um) tivemos um pequeno conflito com o “guia” que nos acompanhou: queria mais dinheiro pois só tínhamos pago os animais, não o guia. Conforme o meu principio, não paguei mais nada. Os outros ainda deram mais qualquer coisa, mas eu, não tendo requisitado guia nenhum (até que este guia apenas conduzia os animais e aproveitava-se de nós para lhe pagarmos umas bebidas) não lhe dei nada.

A caminho da esfinge tiramos todo o tipo de fotos, das mais geniais às mais ridículas. Os asiáticos têm mesmo o gosto pela tecnologia e fotografia entranhado, e acabam por o pegar a quem anda com eles.Depois de regressarmos ao hotel, desta vez de autocarro, para almoçar lá perto e descansar um pouco (ou na verdade muito. Estava a ver que os meu colegas nunca mais queriam sair) e depois caminhar pela confusão da cidade até à zona Islâmica do Cairo.

Cairo, EgiptoEsta zona surpreendeu-me ainda mais que as pirâmides. As ruas apresentam-se tal e qual como David Roberts as pintou à quase 200 anos. Repleta de mesquitas,  madrassas e bazares numa enorme azafama de vendedores, agora turistas em vez de comerciantes de todas as partes do mundo.

Enquanto os meus colegas aproveitavam para fazer as compras, eu tratei de explorar os recantos da mesquita Al Azhar, a mais antiga de África e depois desta fomos todos até à de  Rassul Husein  que fica mesmo ao lado, mesmo ao lado do mercado de Khan El-Kalili, onde andamos a deambular pelas ruas já de noite. Senti-me mal recebido na mesquita de Husein: primeiro um rapaz alertou-me de que eu não devia andar com os chinelos na mão em frente a mim. Tudo bem, se assim é, obrigado. Depois, junto a um túmulo que ali se encontra fui abordado por uns homens que lá se encontravam que me perguntaram se eu era muçulmano. Disse que não. Ao contrário de outros locais em que encontrei uma boa abertura religiosa ali fui quase corrido, só por palavras, porque se não era muçulmano não tinha nada a fazer naquele local.  Diga-se a verdade, aquele também não é um lugar para brincadeiras. Em pouco tempo já houveram dois atentados á bomba, com bastantes mortos, mesmo em frente a esta mesquita.

Mesquita de Al-Azhar, cairo, EgiptoContinuamos a nossa caminhada nocturna por esta ruas, até à mesquita de Al Anwar, onde estava a decorrer um casamento. Estivemos lá sem qualquer problema durante um bom bocado a acompanhar a cerimónia bem de perto, e depois saímos da mesquita, contornamos as muralhas por fora e voltamos a entrar, percorrendo umas ruas que não devem estar muito habituadas a ver turistas, o que assustou um pouco os meus colegas.

Correu tudo bem e por fim apanhámos um táxi até junto ao hotel. À noite saímos todos para ir fumar shisha, o que se viria a tornar um hábito nos dias seguintes. De regresso ao hotel, por teimosia dos meus colegas acabámos por nos perder, mas depois de pedirmos algumas indicações conseguimos por fim chegar.

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22-08-2008 Cairo, Gize . Dobrar Fronteiras
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