A viagem começou em Roma, depois de um voo TAP a partir de Lisboa que chegou a Fuimicino por volta das 22:45. Sendo esta uma viagem low cost, a primeira noite foi passada no aeroporto.
Fiquei surpreendido com a quantidade de gente que passa a noite naqueles (confortáveis) sofás, e com o facto de ninguém (seguranças) incomodar.
Dormi pouco. Quase nada mesmo. A juntar à emoção de estar a começar a maior viagem da minha vida até à data, fazia-se sentir um calor infernal dentro do terminal.
Pela manhã, depois de fazer a higiene matinal num dos WC do aeroporto, Apanhei o primeiro comboio para Roma. O aeroporto fica a cerca de 30km da cidade, e entre as 6:30 e as 23:30 há comboios frequentes que ligam a cidade ao aeroporto por 11€. Fora dessa hora só de táxi, por uns módicos 50€, absolutamente incomportáveis para um estudante universitário português.
A primeira impressão fui um pouco negativa, tenho que o reconhecer. Para nós que estamos habituados à vivacidade das cores dos nosso edifícios, a cor de tijolo predominante em todos os edifícios dá à cidade um ambiente pesado e um aspecto sujo, que se faz sentir sobretudo nos subúrbios percorridos nos últimos metros no comboio.
Cheguei assim à cidade eterna pelas 7 da manha com uma vontade de “devorar” tudo. Fui logo ao hostel onde tinha feito a reserva para as duas noites, e como é óbvio, àquela hora ninguém me atendeu (erros de viajante novato). Deixei então a mochila na estação, comprei um bilhete de um dia, valido para autocarros e metro, por 4€, e dirigi-me às catacumbas.
Entrada das Catacumbas de S. Sebastião
As catacumbas são cemitérios cristãos, que ficam fora da cidade, escavados nas profundezas da terra. São constitutivos por uma rede labirintica de túneis escavados numa terra de origem vulcânica que em contacto com o ar solidifica como se fosse rocha. Foram construídos devido a falta de espaço para sepultar os mortos. Ao contrario dos Romanos, os cristãos acreditam na ressurreição dos mortos, daí que conservem o corpo em vez de o cremarem. Visto que as primeiras comunidades eram pobres e não tinham dinheiro para terrenos para sepultar tantos corpos, a solução foi escavar túneis. Visitei as catacumbas de S. Sebastião e de S. Calisto.
Entrada das Catacumbas de S. Calisto
Se todos os caminhos vão dar a Roma, sem dúvida que a Via Appia é a mais enigmática de todas. Foi por ela que caminhei, tal como fez S. Pedro.
Via Appia
É pouco mais de 1km, pelos campos, sempre rodeados de ruínas romanas. Pelo caminho passei pela capela de “Quo Vadis” local onde segundo a tradição Pedro se terá encontrado com Cristo quando se dirigia para Roma para aí ser martirizado, e Ele lhe perguntou: “Quo Vadis?” (Onde vais?).
O meu plano para Roma, era ver o máximo possível portanto, uma vez que ali perto ficava a igreja de S. João de Latrão fui visita-la, isto depois de comer uma “bucha” tradicionalmente portuguesa de pasteis de bacalhau. Para alguém acostumado à pequenês de Portugal, qualquer igreja de Roma é espantosa! Apercebi-me disso logo aqui, numa das maiores de Roma e que tem no interior colossais estátuas dos 12 apóstolos:
De tarde comecei por ir ao hostel fazer o check-in e deixar a mochila. Fiquei no Navigator hostel, que prima pela sua localização e preço e pela estranha simpatia das duas raparigas que o dirigem. Por 18€ em época alta, tem-se direito a uma cama a 5 minutos a pé do coliseu e da estação de comboio e a um bom pequeno almoço. Estando ali tão perto, comecei a Roma “romana” pelo Coliseu.
As filas a entrada desencorajaram-me logo. Roma nestes dias de Verão está sobre-lotada, e visto que só ia passar dois dias na cidade decidi observa-lo apenas por fora e ao maravilhoso arco de Constantino.
Vislumbrei pela primeira vez a cúpula da Basílica de S. Pedro enquanto visitava o museu do monumento a Vittorio Emanuelo primeiro rei da Itália unificada. Todas as igrejas de Roma parecem querer imitar a obra prima de Miguel Ângelo o que pode confundir os mais incautos.
Toda a cidade está repleta de ruínas, e onde não as há, estão a decorrer escavações. As duas obras que mais me impressiona (mesmo mais que o coliseu), são a coluna de Trajano, que com 38 metros de altura, se mantém de pé há 1900 anos para contar a história das campanhas militares contra os Dácios, e o Panteão, a mais bem conservada obra Romana, pioneira no uso do betão, com o seu belíssimo óculo por onde os raios de sol entram para se repartirem em sombras geométricas.
Felizmente que em Roma a água é um direito do qual todos podem usufruir gratuitamente nas inúmeras bicas de onde jorra agua fresca. Foi um dos factores que mais me fez sentir em casa, não por comparação com o meu país, onde a água publica é sempre impropria para consumo, mas pela sensação de segurança que este liquido transmite, especialmente quando se caminha para nações onde esta é dos bem mais valiosos da terra.
Se a Itália foi um país de artistas, em Roma a Piazza Navorna é a prova de que ainda o é. Com um hectare de área não está coberta de relva verde e linhas brancas. É ocupada por muito mais do que 22 artistas. São às dezenas, se não centenas, desde músicos a pintores e escultores que têm a sorte de viver no país que mais apercia as belas artes.
Roma não seria a mesma sem a fonte de Trevi. Outrora fim dum dos principais aquedutos de Roma, a versão que hoje vemos é o a personificação do romantismo que paira sobre a cidade, cuidada por zelosas policias que fazem soar o estridente apito quando alguém ousa tocar na sua água, tarefa complicada quando se têm algumas centenas de turistas em seu redor.
Sair da pequena praça onde esta se encontra pode ser uma aventura só à altura dum escuteiro bem preparado com mapa e bússola.
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By Hugo C, 16 December 2008 @ 5:35 am
Olá David, gostei muito deste feedback…eu e 3 amigos universitários estamos a pensar ir a roma no próximo verão…ando a devorar tudo o que seja diários,impressões,blogs,etc…sobre Roma…
As fotos estão brutais…
Cumprimentos