Não é preciso despertador para acordar no campo. Como diz o ditado, deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. Às 8 da manhã já estamos a começar o trabalho deste dia: recolha de braças duma planta medicinal que vai ser vendia a uma senhora que faz preparados medicinais. Aos habituais residentes junto-me hoje eu, um casal que vem de fora para levar algumas para eles e a Dorite, uma alemã que está cá durante dois meses a participar no programa WWOOF.
Cada dia o almoço é preparado por um dos residentes, e ao contrário dos maus comentários que fui ouvindo durante a manhã, à nossa espera está um delicioso almoço vegetariano. Desde que saí de Portugal que não comia uma refeição cozinhada saudável. Depois deste almoço dormimos a sesta. Aproveito depois para organizar as minhas coisas e actualizar o diário. Hoje já não há mais trabalho de campo. Apenas começamos a preparar lã para os chapéus de feltro que iremos fazer no Domingo.
À noite, vamos todos a uma festa regee que há numa aldeia ali perto, festas estas que são frequentes por aqui, visto ser uma zona repleta de comunidades hippies, rurais, natureza e tal… todos se conhecem. Espanta-me a quantidade de crianças e bebés que vejo. Todas as mulheres têm um ou mais filhos com menos de 3 anos. Não há problemas de natalidade por aqui! Só hoje enquanto caminho até à minha cabana reparo no maravilhoso céu estrelado.
No dia seguinte, sábado, recuo no tempo para arrancar batatas com a ajuda dum cavalo. É o trabalho da manhã. Antes de almoço vou a casa dum vizinho, um dos poucos que tem Internet nesta aldeia. O meu objectivo é arranjar alojamento no couchsurfing para algumas das noites seguintes. Envio poucas mensagens, das quais espero mesmo receber alguma resposta, porque se não vou passar uma temporada a dormir ao relento. Fico depois com a Camile, a padeira, a ajudar a enfornar o pão. Aqui na quinta há um forno enorme onde ela faz pão para vender e para o consumo de casa. O pão é das mais variadas formas e cores, com farinhas de várias misturas de cereais. No fim do almoço está pronto a desenfornar. A Camile é das poucas pessoas aqui com quem consigo ter algumas conversas decentes, já que o meu francês é muito fraco, e ela fala fluentemente o Portunhol. Recuando no tempo, é ela a responsável por eu estar aqui já que conheceu a Sílvia em 2006 quando andava a dar a volta à Península Ibérica a cavalo.
À noite jantamos javali. Foi caçado na noite em que cheguei, pois andava a comer as hortas. Enquanto não adormeço medito no futuro desta viagem. Tenho duas opções: ficar aqui mais uns dias, na segurança e conforto de ter sempre onde comer e dormir, ou parto já na segunda de manhã. Quando saí de Portugal apenas tinha planeado a minha viagem até aqui. Agora será sempre de improviso que vou viajar. Quero ir até ao Mónaco, quanto mais não seja para contabilizar o meu 18º país. Vim nesta viagem com dois objectivos: visitar uma amiga e conhecer um pouco mais do mundo. O primeiro está cumprido. Agora o Mundo espera por mim.
Não sei se foi do javali, se doutra coisa qualquer que passei uma noite terrível, com má disposição. Só saí da cama às 10:30 num estado lastimoso e tomei um chá. Voltei para a cama até às 2:00. Tínhamos marcado de fazer os chapéus de feltro às 2:30, hora em que viria também uma senhora de fora para aprender. Subo até à casa e dão-me uns quantos preparados medicinais caseiros.
Está lá alguém que eu já conheço: um dos pastores das montanhas. Tal como eu tinha desconfiado logo que os vi, eles são daqui, e este desceu hoje do paraíso.
Estava sem imaginação para o chapéu, e com muito pouca vontade de fazer o que quer que fosse. Ainda assim acabou por saír bem bonito! Mesmo sendo quente, será a minha companhia nos restantes dias de viagem. Quando termina o trabalho já me sinto melhor. Quase pronto para amanhã entrar de vez na Provence.
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By maria aida s. mendonça, 23 August 2011 @ 3:31 am
brasil 2011 gosto muito de suas viagens o seu modo de narrar a viagem é muito interessante parece que estamos indo junto!
By David S R Santos, 22 September 2009 @ 12:18 am
Esqucime de dizer, mas para além de 1 ou 2 musicas do Bob, eu não gosto de reagee. Não gosto mesmo, mas pronto la sobrevivi
Bom tu não me conheces, (nem eu a ti) mas eu vivo no campo. Aqui a novidade foi mesmo o cavalo
A razão de ter escolhido França como destino e não outro lado qualquer foi mesmo para a ir visitar, se não sei lá, ia para Marrocos, que ainda me lá faltam ver umas coisas
Assim juntou-se o útil ao agradável!
By a, 21 September 2009 @ 8:45 pm
ups.. peço desculpa pela minha gafe do foste-te lol*
By a, 21 September 2009 @ 8:44 pm
Hmmm, deveras interessante. Foste-te enfiar mesmo num ambiente altamente campestre, alternativo e ecológico.
Festinha raggae no meio dos montes? Espectacular. Adoro raggae e nesse ambiente deve ter sido mesmo inesquecível.
Peace and Love segundo os nossos amigos hippies lol.
Afinal, bem que me parecia um chapéu de feltro. Tenho cá um olho…
Ficamos a aguardar novas peripécias
*
Batatas? És um homem multi funções e à moda antiga. Sim senhor!
É engraçado ver o teu impasse para continuar viagem. Secalhar a razão principal dessa viagem foi mesmo visitares a tua amiga. O resto foi um bónus extra e tudo de bom pelos vistos.
Javali?! Dizem que essa carne é boa. Eu não sou muito amante de carne, mas aposto k estava divinal esse javali selvagem lol , deve ter custado a apanhar pois eles são bravos.