Uma ida à missa e duas visitas ao monte do templo completaram a minha visita a Jerusalém. De manhã bem cedo dirigi-me ao tão ansiado monte do templo. A entrada faz-se por uma passadeira de acesso que dá uma vista sem igual para a praça do muro das Lamentações, sendo que há entrada é-se revistado assim como todas as malas com raio-x. Lá dentro pode-se andar à vontade por todo o lado, sendo o local calmamente patrulhado por militares israelitas, mas, ao contrário do que acontecia à alguns anos, quando eu lá fui a primeira vez, não é mais possível entrar dentro das mesquitas. Resta aos que nunca lá entraram imaginar a enorme beleza que elas escondem.
Pouco antes das 10 saí de lá, pois sendo Domingo queria participar duma missa. Tinha visto no dia anterior os horários numa igreja que indicavam às 10h, e lá fui. A missa era numa igreja protestante e celebrada em inglês. A assembleia era constituída sobretudo por emigrantes, e devido ao ritual protestante havia uma participação das pessoas muito maior do que cá. A acentuar ainda mais o espírito de comunidade, no fim à um lanche convívio em que se apresentam as pessoas novas na comunidade. Eu não participei. Hoje estou arrependido.
Depois da missa regressei ao monte do templo. Já que estava ali queria aproveitar ao máximo. Desta vez aconteceu algo insólito: um dos militares que faz a verificação ads malas reconheceu-me de já la ter entrado antes e armou um escândalo: “Porque é que estás aqui outra vez? De onde és? Tens algum objecto de culto contigo? etc” Eu com a minha calma do costume perguntei-lhe se era proibido lá entrar duas vezes, disse que não tinha nenhum objecto de culto comigo. Ele revistou-me tudo minuciosamente e chamou o superior. Este pediu-me o passaporte, fez de novo as mesmas perguntas, e depois me desejou uma boa visita.
Desta vez lá dentro percorri todos os cantos. O lugar estava bastante calmo, com poucos turistas, alguns trabalhadores a arranjarem o chão, e alguns muçulmanos que devem passar por ali o dia. Junto à mesquita da Rocha ouvi falar português pela primeira vez desde a Jordânia, em que o meu amigo Alex falava a nossa língua. Eram também os primeiros portugueses que encontrava desde a Turquia. Dois casais de Leiria (meus vizinhos portanto) que andavam a visitar a Terra Santa. Depois de dois dedos de conversa saí então definitivamente em direcção ao hostel para ir buscar a mochila.
A paragem de onde partem os autocarros para Belém fica convenientemente junto à porta de Damasco onde pude almoçar. O transporte é feito em pequenos autocarros operados por árabes e vai até ao checkpoint criado pelo muro Israelita.
Uma vez aí passei finalmente essa “fronteira” para entrar em território palestiniano. Logo se passa o muro entra-se num mundo completamente diferente. À caça dos turistas estão dezenas de taxistas desejosos de nos ir mostrar toda a cidade e arredores, mas sempre com simpatia ao contraria da arrogância que muitas vezes se encontra noutros países árabes e especialmente em Israel. Por fim lá chegou o meu taxista que me levou a Beit Sahour, o local onde ia passar os próximos dias, na Bustan Qaraqaa, uma comunidade Eco Alternativa, orientada por 3 jovens ingleses.

Ainda nessa tarde voltei a Jerusalém com dois outros jovens que lá estavam. A ideia deles era ir a missa, mas chegamos no fim, mesmo a tempo de mais um lanche convívio, e de passar uma ultima vez pela zona árabe para jantar.
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