O último dia em Barcelona foi, como não podia deixar de ser, dedicado essencialmente à obra de Gaudi. Comecei pela mais maravilhosa de todas, e ainda inacabada: o templo expiatório da Sagrada Família. Lembro-me de que quando via as primeiras fotos deste templo, teria uns 10 anos, fiquei com a ideia de que eram umas ruínas. Agora finalmente ia saber a verdadeira história. A sua construção foi iniciada em 1882, e um ano depois Gaudi assumiu a direcção da obra na qual trabalhou exclusivamente até à sua morte 15 anos depois. Penso que é algo que todos deviam visitar uma vez na vida enquanto estão a decorrer as obras, pela possibilidade de ver como se constrói um grande templo. O melhor de tudo é que é possível subir às torres (mas só de elevador, actualmente é proibido subir pelas escadas, por questões de segurança dizem eles), e depois passar dumas para as outras e descer pelas vertiginosas escadas em caracol. A vista lá de cima é divinal, e é possível observar de perto as obras que decorrem, estando a ser construída a base para a torre dedicada a Jesus Cristo e que será a maior de todas com 170m. Todos os pináculos são coroados com esculturas muito orgânicas e coloridas. Não conhecia bem a obra de Gaudi, mas depois disto fiquei fã.
Actualmente a obra está a ser executada em pedra artificial, e dentro das naves podem ver-se os escultores a trabalhar. Há ainda um museu muito interessante na cave, com maquetas, fotos antigas, planos, etc, que contam a história da construção do templo.
Saí de lá pelo meio dia para me ir encontrar com o homem que me levou a escolher Barcelona como destino nestas mini férias. Jorge Sanchez, com quem já tinha trocado uns email’s, é um dos homens mais viajados de sempre. Já visitou todos os países do mundo, incluindo ilhas remotas, locais quase inacessíveis e proibidos a estrangeiros, foi preso por espionagem no Afeganistão, viajou com piratas nas Filipinas, procurou ouro na Bolívia, entre outras coisas de que nenhum outro mortal se podem gabar. Como pode ouvir da sua própria boca, ele diz “Yo soy viajero”. Nada mais lhe importa. Nesse mesmo dia vinha a chegar de peregrinar a Burgos e outros santuários do caminho de Santiago. Partilha comigo também a paixão por locais religiosos, especialmente os mais afastados do mundo. Foi absolutamente marcante conhecer alguém que vive unicamente para viajar. Fui com ele tomar um café, ver a Rambala e o mercado da Boqueteria, sempre a falarmos de viagens.
Restava-me pouco tempo e ainda menos dinheiro, mas ainda assim preenchi o resto do dia com a visita às obras de Gaudi no Passeio da Gracia.
Comecei pela casa Milá. Esta foi construída para uma rica família da época, e está hoje transformada num museu. Uma parte exibe uma exposição temporária de pintura, gratuita, enquanto o resto apresenta informações detalhadas sobre as obras de Gaudi, sendo o restante edifício decorado com mobiliário da época. Toda a visita é acompanhada por um áudio-guia (muito bom), em português, e que está incluído nos 5,5€(preço estudante) da entrada.
A visita inicia-se pelo sótão e terraço. Neste primeiro são apresentadas maquetas e explicações detalhadas desta e outras obras do arquitecto. Ao andar-se neste sótão tem-se a sensação de estar dentro do esqueleto dum monstro marinho, pelas formas arqueadas da estrutura. Lá fora no terraço, são as chaminés em forma de guerreiro que dominam! Dá para ver ao longe a Sagrada Família, a moderna torre Agbar e os restantes telhados de Barcelona.
Ao reentrar na casa, viaje-se até ao inicio do século XX. Toda a casa está decorada com mobiliário e objectos, que embora não sejam os originais daquela casa são todos autênticos da época. Embora só esteja aberto ao público um dos pisos, neste não há barreiras que separem os visitantes da decoração ou impeçam de entrar em divisões. É tudo natural, dando a ideia de que a casa ainda está habitada. A saída faz-se por um porta muito “orgânica”.
Um conceito de museu um pouco diferente é apresentado uns números mais abaixo, na mesma rua. A casa Batló vale por si, e não precisa de mobílias nem quadros para justificar os 16€ que são cobrados para lá entrar. Logo por fora consegue-se ter uma ideia do sonho que esta casa é por dentro. Não há linhas rectas, tudo é graciosamente curvo, orgânico e colorido. Um sonho imaginar como será a vida aqui, e sim, há quem viva lá. Apenas alguns pisos são visitáveis, e é mesmo possível ver roupa a secar nas varandas das traseiras, e funciona lá também um gabinete de arquitectura. Uma das partes onde se concentra mais beleza é sem duvida o terraço, com as suas belas chaminés coloridas. Para chegar a esse terraço passa-se pelo sótão onde se sente o intenso cheiro (artificial claro) a sabão, a recordar que era ali que funcionava a lavandaria da casa.
Findo isto, desci novamente as Ramblas a ver os homens estátua, os pintores e outros artistas, até chegar ao miradouro de Colon. Já quase ao anoitecer penetrei no bairro Gótico donde visitei pouco mais que a catedral. Que por azar até estava em obras.
À noite foi tempo de ir conhecer um pouco a noite de Barcelona, num encontro de couchsurfing que terminou numa festa de reagee.
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By gre, 5 August 2009 @ 2:27 pm
em tempos soube muito sobre gaudi..mas acho k me eskeci :X*