hostel em que estávamos oferecia transfer gratuito para a entrada de Petra, que fica a uns 2km. Apanhámos o primeiro, e às 7 da manhã já estávamos a aproximar-nos do Siq. Decidi comprar um bilhete de 2 dias, por 26JD contra os 21JD do bilhete de 1 dia. O desconte de 50% para estudantes acabou, provavelmente depois da ridícula eleição das novas 7 maravilhas.
Descer o Siq (vale que conduz à cidade) é um dos maiores sonhos de qualquer fã do Indiana Jones como eu. São quase 2km de constante ansiedade para ver com os próprios olhos a magnifica fachada esculpida na rocha à anos pelos Nabateus. Finalmente depois dumas quantas curvas em que somos constantemente confrontados com os turistas que vão a cavalo, camelo ou charrete, eis que ao virar de mais uma esquina surge a tão ansiada visão.
Gosto de viajar sozinho, cada vez mais, especialmente porque de vez em quando se encontra a companhia certa. Foi o que aconteceu aqui na Jordânia. Não tínhamos feito nenhum roteiro para a nossa visita a Petra, mas assim que entrámos, a sintonia estabeleceu-se, e sem ser necessário trocar palavras, iniciamos muito naturalmente a subida ao local dos sacrifícios, em vez de seguir o caminho normal e ir até ao anfiteatro e ao centro da cidade. Chegámos assim a um dos pontos mais altos de Petra, uma subida de cerca de 40 minutos por escadas, um daqueles caminhos que quase ninguém percorre mas que vale a pena pelas fantásticas vistas sobre as montanhas e as ruínas da cidade, pelas 10:30, estafados mas com um grande sorriso
A descida conduziu-nos novamente por escadas não menos espectaculares que as primeira, escavadas na rocha multicolorida, com vendedores por tudo quanto é sitio.
Foi aqui, de regresso à Petra civilizada que comecei a desgostar daquilo. Quisemos comer uma bucha, mas os únicos locais à sombra existentes estavam ocupados ou por burros, ou por … burros que decidiram encaixar ali restaurantes no meio das ruínas. Decidimos ficar junto aos de quatro patas, pois trazíamos o nosso próprio comer na mochila. A ajudar à festa, algumas das antigas casas são usadas como garagem das picups dos felizes proprietários daqueles estabelecimentos, outras como armazém, e até como central eléctrica com um ruidoso gerador :S
Assediados por dezenas de alugadores de burros que nos preveniam para uma dolorosa ascensão de 2 horas com mais de 40º à sombra até ao Mosteiro, lá iniciamos a subida. Com algumas paragens pelo meio chegamos ao topo em muito menos de 2 horas.
É engraçado que mesmo aqui no topo encontrei um restaurante que aceita Visa. Depois, chega mesmo a ser cómico a disputa pelos turistas. Junto ao Mosteiro há uns miradouros de onde se consegue ver o vale do Negev em Israel, e em cada um desses pontos, mais uma banca de vendedores. Então a grande distancia já se conseguem ver placas gigantes “VIEW” que indicam o melhor viewpoint.
Ao inicio da tarde estávamos de novo no centro da cidade onde demos uma espreitada às ruínas.
Aqui, ouvir alguém ao longe gritar por “Samuel!” É uma sensação um bocado estranha, estando ali tão longe de tudo. Era o Alex, o nosso amigo italiano e os franceses que tínhamos deixado à dois dias em Ammam. Foi um encontro rápido… eles queriam continuar a visita à cidade e nós estávamos mais virados para um percurso que uns rapazes nos tinham aconselhado no dia anterior.
Wadi Muthalin ou “The Adventur Canyon”, é um canyon semelhante ao Siq, mas muito mais estreito (chega a ter zonas às curvas na fenda da rocha com menos de meio metro, e degraus de 2 metros que se têm de escalar). Termina num túnel que servia de escoamento às aguas mesmo à entrada do Siq. Como o fizemos em “sentido contrário”, só à saída vimos a placa que estava à entrada, e que já nos tinha acompanhado por mais locais neste dia.
Eram já umas 4 da tarde quando aí chegamos. Já havia muita gente a sair e como ainda tínhamos tempo decidimos descer novamente o Siq. Afinal fui a Petra mesmo por aquela típica imagem do Indiana Jones a aproximar-se do Tesouro, e já que estava ali queria reviver esse momento mais uma vez, pois já tinha decidido que não ia ficar mais um dia em Petra.
E agora sim, para terminar as condições de luz eram mais apropriadas para a fotografia épica:
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